Quarta, 26 de Abril de 2017
   
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Com que Roupa eu Vou?

Pastoral

Falar sobre vestimenta no contexto cristão sempre causa certo incômodo. Se, por um lado, alguns defendem a criação de regrinhas exaustivas sobre o assunto, na outra ponta temos os mais “moderninhos”, que pregam que a roupa de alguém nada diz sobre sua condição espiritual e, por isso, em nada pode afetar a sua santidade ou a dos outros.

De fato, é muito tênue o limite entre o zelo bíblico e o legalismo quando o assunto gira em torno de moda. Entretanto, o silêncio nesse campo não condiz com as instruções bíblicas sobre a questão e, certamente, tem trazido prejuízos espirituais terríveis a inúmeros jovens. Quando adicionamos as redes sociais nessa equação, o resultado fica ainda pior: moças que postam selfies com roupas inapropriadas, rapazes que consomem pornografia por meio da mídia pública e a moda em si, que, dia após dia, cobra mais caro por menos tecido numa peça de roupa.

Como crentes, não podemos deixar esse assunto no campo da subjetividade. Sabemos, porém, que o tipo de moda dos tempos bíblicos é extremamente diferente dos costumes contemporâneos. Como superar, portanto, esse abismo temporal sem forçar passagens da Escritura e obtendo princípios claros a respeito de como o crente deve se vestir? Olhando para a Bíblia, creio ser possível distinguir claramente algumas diretrizes sobre a questão. Longe de esgotar o assunto, proponho a observação de três princípios básicos que saltam da Palavra de Deus e que, sem dúvida, norteiam de modo satisfatório o comportamento de um crente nessa área.

O primeiro princípio é o da FUNÇÃO. Estamos acostumados a pensar que o ser humano sempre teve o hábito de se vestir, mas esquecemos que as roupas surgiram apenas depois da queda do homem e, em seu propósito básico, servia para cobrir a nudez de Adão e Eva. O objetivo disso era, sem dúvida, possibilitar um convívio social livre da vergonha trazida pelo pecado (Gn 3.6-7,21). Não é por acaso que a figura da nudez está relacionada a juízo tanto no Antigo como no Novo Testamento (Is 47.3; Ap 3.18; 16.15). Dessa forma, é primordial que o vestuário cumpra esse papel básico.

Ao contrário do que a cultura dos nossos dias afirma, roupas que cobrem partes íntimas do corpo não existem meramente para combater uma sociedade sexualizada, mas sim proteger o homem do próprio pecado. Nesse sentido, a moda contemporânea não apenas impõe roupas cada vez mais curtas, como também cada vez mais justas, fazendo com que o corpo seja exposto da mesma maneira, mas modelado por um fino tecido. O efeito é semelhante, mas muitas pessoas se escondem por trás desse subterfúgio dizendo “não mostrar nada”, quando, na verdade, expõem muito mais do que deveriam.

Em segundo lugar, destaco o princípio da MENSAGEM. Houve um tempo em que a arte, de modo geral, valorizou as formas geométricas. O início do século 20 foi marcado por construções robustas e de aparência “quadrada”. Se comparado ao corpo feminino, o perfil do homem se enquadra melhor nessa condição, razão pela qual as roupas femininas passaram a desvalorizar suas curvas naturais, investindo em trajes retos e geométricos. Assim, esse período ilustra como alguns interesses podem ser transmitidos por meio da vestimenta. De fato, a moda nada mais é do que o reflexo de uma ideologia vigente.

Hoje, mesmo com tantas culturas convivendo no mesmo espaço, a capacidade das roupas de falar ainda é gritante. Desde os tempos bíblicos, percebemos alguns costumes que expressam isso, como vestir panos de saco em sinal de luto e arrependimento (Jn 3.5) um correspondente cultural de nossos dias talvez seja usar roupas pretas e até mesmo o homossexualismo, que era caracterizado, dentre outras coisas, pelo uso de roupas do sexo oposto (Dt 22.5). Dessa forma, o princípio da Mensagem diz respeito ao conteúdo cultural que determinada vestimenta transmite. Homens usando roupas apertadíssimas e delicadas, enquanto mulheres descuidam de sua sensibilidade natural, são reflexos claros de uma sociedade que valoriza a inversão de papéis e a erroneamente aclamada “igualdade entre os gêneros”.

É claro que existem roupas com conteúdo neutro e, por isso, não é necessário andar por aí encontrando mensagens ocultas e satânicas numa calça com algum rasgo ou numa camiseta estampada. Como crentes maduros, porém, precisamos refletir naquilo que nossas roupas transmitem aos outros.

Por fim, vale também se lembrar do princípio da MODÉSTIA, nitidamente exposto em 1Timóteo 2.9-10 e em 1Pedro 3.3-4. No contexto das igrejas destinatárias de Paulo e Pedro, é provável que algumas mulheres estivessem chamando a atenção durante o culto público, desviando o foco dos crentes daquele que deve ser o verdadeiro centro da adoração. Além disso, a igreja primitiva era formada, em sua maioria, por pessoas de baixa posição social. Quando, num culto, esses crentes ficavam ao lado de mulheres mais ricas, extremamente ornamentadas e vestindo roupas caríssimas, a sensação de humilhação e pequenez era evidente. Talvez seja por problemas como esse que os dois apóstolos ordenam que as mulheres tomem cuidado com as roupas que usam na adoração pública.

Não diferente daqueles dias, o que ocorre em algumas igrejas é que grupos de maior visibilidade como, por exemplo, integrantes da equipe de louvor — vestem-se com a nítida intenção de atrair olhares para si e, além de causar suspiros em moças e rapazes, tiram o foco da adoração a Deus. Por isso, tendo em mente esses três princípios básicos de vestimenta, avalie as peças que estão no seu guarda-roupa. Com honestidade, responda se Deus tem se agradado do seu look e se você tem buscado a santidade quando escolhe a roupa que usará no seu dia a dia. Assim, com o auxílio do Espírito Santo, você certamente saberá responder “...com que roupa eu vou pro culto?”.

Níckolas Borges

Líder de Jovens da IBR-SP

 

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