Quarta, 25 de Abril de 2018
   
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Onde Está o Futuro?

Pastoral

Recentemente, ouvi duas declarações intrigantes sobre o futuro. A primeira veio de um professor universitário de História conhecido por defender o ateísmo. Ele pronunciou uma frase muito simples, curta e direta: “O futuro não existe”. Evidentemente, para aquele homem, o que está por vir será apenas o resultado eventual de uma série de fatores incertos e, em hipótese alguma, a execução ou o desdobramento de um plano traçado e já existente na mente de um “Ser Superior”.

A outra frase que ouvi foi dita por um pastor evangélico. Ele disse: “Deus determina algumas coisas que vão acontecer, mas não tudo”. Geralmente, os crentes que dizem coisas desse tipo se identificam como arminianos. Afirmações assim são usadas por alguns expoentes dessa vertente doutrinária sempre que mostramos na Bíblia alguma prova da determinação de Deus no tocante ao que há de vir. Basta mostrarmos essas provas e eles logo dizem: “Sem dúvida, Deus determina algumas coisas, mas não tudo”.

Ora, diante da afirmação do ateu, o cristão sabe muito bem como reagir. Ele simplesmente se lembra das profecias que há na Bíblia, tanto aquelas que já se cumpriram como as que ainda vão se cumprir. Então, conclui serenamente: “O futuro existe sim e Deus o conhece bem. Tanto o conhece que até nos revelou algumas partes dele. Não somos, pois, como um barco sem piloto, levados ao redor pelas correntezas da história, sem saber aonde vamos parar. Não! Há um trajeto traçado referente aos rumos da humanidade e esse trajeto pronto e certo será percorrido até o final, sob a direção do Autor da história”.

Já diante da afirmação do pastor, os crentes podem se sentir um pouco confusos e alguns, menos preparados, podem até acreditar nele, adotando, sem pensar, uma visão de futuro que aceita parcialmente o acaso; uma concepção em que alguns eventos acontecem porque Deus os decretou (aqui os ateus fazem cara feia), mas outros eventos (talvez a maioria) ocorrem por causa de fatores que nada têm a ver com os planos fixos e imutáveis do Senhor (aqui os ateus sorriem).

Para avaliar melhor a concepção do tal pastor, talvez seja útil formular uma pergunta meio estranha: “Se o futuro existe (como cremos, em oposição ao professor ateu), então onde o futuro está?”. Só existem duas possibilidades de resposta aqui: ou o futuro está fora de Deus ou dentro de Deus (na sua mente). Se optarmos pela primeira alternativa, outra pergunta aparece: “Como esse futuro surgiu fora de Deus?”. Aqui há somente três respostas possíveis: ou o futuro sempre existiu, ou simplesmente apareceu, ou Deus o criou. Sendo cristãos (e não hinduístas), não podemos aceitar as duas primeiras respostas. Logo, cremos que, se o futuro existe fora de Deus, então o próprio Deus o criou. Ora, se Deus criou o futuro, não há como dizermos que ele determinou apenas algumas partes dele, como afirmam alguns arminianos.

De fato, se Deus criou o futuro como uma realidade externa a ele, então ele o originou obviamente por completo e não apenas parcialmente. Assim como Deus não criou apenas alguns órgãos do corpo humano, ou apenas certas partes das árvores ou somente algumas áreas da Terra, da mesma maneira Deus não criou um futuro incompleto, mas sim um porvir em que cada dia foi “escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda” (Sl 139.16).

Consideremos agora a segunda possibilidade de resposta à pergunta “onde o futuro está?”. Suponhamos que o futuro esteja dentro de Deus, isto é, em sua mente (esta é a minha opção favorita). Se for esse o caso, mais uma vez outra pergunta aparece: “Como esse futuro surgiu dentro de Deus?”. Até onde posso ver, há novamente aqui só três respostas possíveis: ou o futuro sempre existiu na mente de Deus de forma necessária e involuntária, ou alguém incutiu esse futuro na mente divina ou o próprio Deus concebeu esse futuro em sua mente, como um plano inteligente a ser executado. Bem, é bastante fácil descobrir a única alternativa aceitável para o teísmo bíblico.

Sim, se o futuro está na mente de Deus, somente ele próprio pode tê-lo “inserido” ali e, sendo esse o caso, não havia como Deus produzir somente partes do futuro em sua mente, mas sim o futuro todo, em cada um dos seus detalhes. A verdade é que, se o futuro está fora ou dentro de Deus, como cristãos só nos resta crer que ele próprio é o produtor desse futuro. E essa “produção” só pode ser integral e não parcial, o que faz com que aquilo que o tal pastor arminiano disse não tenha o menor sentido.

Descansemos, portanto, como crentes que somos, na certeza de que nosso Deus é o criador e Senhor do futuro inteiro. Assim como ele definiu tudo que já passou e fixou tudo que agora passa, ele também determinou tudo que ainda passará. Que nisso encontremos consolo e segurança, sabendo que nada foge dos desígnios do Senhor e que nenhum dos seus planos jamais pode ser frustrado (Jó 42.2).

Pr. Marcos Granconato

Soli Deo gloria

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