Segunda, 12 de Novembro de 2018
   
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Pecado a Jato

Pastoral

Nos anos 80, popularizaram-se no Brasil as câmeras portáteis, notadamente as da marca Kodak, que utilizavam filmes de 35mm com 12, 24 e 36 poses. Praticamente toda família tinha uma câmera para registrar suas viagens, passeios, formaturas, casamentos, aniversários e muito mais. E, no final de sua capacidade, levávamos o filme para ser revelado em fotos 10x15 que guardávamos em incontáveis álbuns.

A partir daí, surgiu um hábito peculiar entre as famílias: mostrar aquela infinidade de fotos e álbuns para as visitas. Depois de uma refeição e de ter colocado o papo em dia, todos se reuniam para passar algumas horas apreciando as fotos da família.

Eram momentos de alegria e gargalhadas quando olhávamos aquela cabeleira e calça boca de sino dos anos 70. Saudades de quem não estava mais ali. Emoção estampada nas fotos do casamento. Nostalgia pelos tempos de escola e viagens realizadas. Enfim, ficávamos ali compartilhando um pouco da experiência impressa de nossos anfitriões.

Durante esse costume, poderia surgir em nosso coração um pouquinho de inveja das inúmeras experiências que aquela família ou indivíduo havia passado, enquanto nós seguíamos com a velha e, às vezes, enfadonha rotina. Mas esse sentimento se esvaía pouco tempo depois do término daquela visita e do manejo daquelas imagens.

Essa tradição entre as famílias terminou com o advento das redes sociais como Facebook e Instagram. Tudo acontece em tempo real e não é mais necessário esperar a hora de revelar o filme Kodak e aguardar que alguém nos faça uma visita. Podemos, onde e quando quisermos, acompanhar virtualmente nossos queridos em suas viagens, casamentos, formaturas, passeios, aniversários e até mesmo quando visitam outras pessoas (!).

Contudo, parece que as redes sociais aceleraram e intensificam igualmente nossos pecados. Depois de um estressante dia de trabalho — ou até mesmo durante — ligamos o celular e curtimos aquela foto da viagem de um amigo desejando que estivéssemos no lugar dele. Após uma briga com a esposa, comentamos aquela foto de família de algum conhecido, ansiando que nossa família fosse igualmente perfeita. Enquanto aguardamos o conserto do carro velho na oficina, curtimos o vídeo do carro novo do vizinho.

Tudo isso pode gerar em nós aquela inveja que antigamente passava rápido, mas que hoje permanece, pois estamos constantemente diante do álbum de fotografia da vida dos outros. E, por causa disso, nosso coração vai se tornando cada vez mais amargo, transformando, inclusive, nosso semblante. Diante desse pecado que pode sorrateiramente nos acometer, faço menção a três aspectos inerentes à inveja:

 

1.    Ela é egoísta (Tg 3.16). Pode parecer óbvio, mas o invejoso só olha para seu umbigo. O sucesso e conforto devem vir a ele primeiro — senão exclusivamente. O invejoso não se conforma que outros estejam desfrutando de alegria, realização e conquistas, compartilhando isso nas redes sociais, enquanto ele parece estar empacado na vida.

 

2.    Ela é mesquinha (Gl 5.26). Ao passo que o invejoso julga ser o único merecedor do sucesso, ele não consegue se alegrar com a felicidade alheia. Chega até a pressionar o botão de curtir, mas, por dentro, queria que todos compartilhassem sua miséria.

 

3.    Ela é ingrata (2Tm 3.2; Jd 1.6). Por ter uma visão muito elevada de si mesmo e crer ser melhor do que todos, o invejoso pensa que aquilo que recebe é insuficiente e que todos deveriam se mobilizar para servi-lo. Isso, além de alimentar a ganância desenfreada, torna-o ingrato e insensível a tudo que experimenta.

A Bíblia é enfática ao demonstrar a malignidade da inveja. Ademais, é esse o pecado atribuído a Satanás e causador de sua queda. Seja por causa das redes sociais ou qualquer outro meio, o cristão de verdade não deixa esse pecado se instalar em seu coração e tampouco o alimenta. Somos convocados a considerar os outros superiores e cuidar de seus interesses, sem qualquer ambição egoísta (Fp 2.4-5). Além disso, o cristão tem real empatia por seus irmãos (Rm 12.15) e é capaz de se alegrar pelos outros, mesmo em meio à própria adversidade (Fp 2.17-20). Finalmente, o crente é contente e satisfeito com as circunstâncias que Deus lhe proporcionou (Hb 13.5; 1Tm 6.6), estando plenamente apto a demonstrar gratidão quando o triunfo lhe sobrevém.

Diante disso, ao se deparar com as fotos e vídeos daquela viagem do seu amigo à Europa, ou da formatura do seu parente, até mesmo daquele aniversário que você não foi convidado, curta com alegria, comente com entusiasmo e compartilhe com gratidão, nutrindo no coração real empatia, deferência e contentamento.

Isaac A. Pereira

IBR Pinheiros

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