Quinta, 18 de Outubro de 2018
   
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Os Deveres dos Pastores no Trato com os Membros da Igreja

Pastoral

O homem que ocupa o cargo pastoral na igreja de Deus é designado no Novo Testamento por três termos distintos: pastor, presbítero e bispo (At 20.17,28; Ef 4.11; Tt 1.5,7). Cada um desses termos destaca diferentes aspectos das funções que o ministro cristão deve exercer junto ao povo que Deus lhe confiou.

O termo “pastor” (poimén) é o mais abrangente entre os três supracitados, pois realça as tarefas de proteger e apascentar (o que inclui conduzir) um rebanho. A figura do pastor da igreja como protetor do rebanho de Deus aparece em Atos 20.28-31. Nessa passagem, Paulo, despedindo-se dos pastores da igreja de Éfeso, diz que lobos vorazes atacariam as ovelhas do Senhor que estavam sob seus cuidados e não as poupariam, arrastando-as à destruição por meio de ensinos perversos. Segundo Paulo, diante dessa ameaça, os pastores deveriam vigiar, mantendo-se sempre atentos e prontos, a fim de afugentar aquelas feras malignas e manter o rebanho de Deus ileso.

Obviamente, esse aspecto da função pastoral é imperativo aos ministros de Cristo de todas as épocas e de todos os lugares, enquanto dirigem as igrejas em que foram postos. Aliás, o Apocalipse revela que os pastores de Pérgamo e de Tiatira foram negligentes precisamente na realização dessa tarefa, sendo esse o motivo pelo qual o Senhor os censurou tão severamente (Ap 2.14-16, 20-23).

Conforme já referido, o vocábulo grego poimén (e o verbo poimaino, associado a essa palavra) também aponta para a tarefa de apascentar, ou seja, prover as necessidades das ovelhas, conduzindo-as na direção de bons pastos e de água fresca. Com base na figura que esses termos evocam, conclui-se que o pastor, como oficial eclesiástico, também deve apascentar o povo de Deus, garantindo-lhe o suprimento de alimento e de refrigério espirituais.

Não restam dúvidas de que o crente precisa de alimento para a alma (Mt 4.4; 1Pe 2.2). Ora, o ofício de pastor está entre aqueles que Deus instituiu exatamente para fornecer esse alimento aos crentes (2Tm 4.1,2), a fim de que eles sejam equipados para o serviço dos santos, cresçam na unidade da fé, amadureçam nas virtudes de Cristo e deixem de ser como meninos facilmente levados por qualquer vento de doutrina (Ef 4.11-14).

Apascentar o rebanho de Cristo, porém, não abrange somente oferecer-lhe o alimento da Palavra com o fim de transmitir conhecimento e gerar maturidade. O pastor zeloso tem de ir além disso e, sempre com a Palavra do Senhor em punho, deve trabalhar para satisfazer também as necessidades de consolo e descanso das ovelhas de Jesus. Nesse aspecto, é notório que, nas Escrituras Sagradas, a condução ao alívio e ao refrigério é uma prática distintamente pastoral (Sl 23.1-3; Ap 7.17), sendo certo que a falta desse trabalho é um dos motivos pelos quais as pessoas passam a viver cansadas e aflitas (Mt 9.36).

Ora, há diversas situações em que o pastor poderá atuar como alguém que conduz a ovelha cansada ao repouso, mas um exemplo prático dessa forma de agir é mencionado em Tiago 5.14-15. Nesse texto, o escritor bíblico (ele mesmo um pastor) ensina que, quando alguém estiver doente, deve chamar os presbíteros da igreja. Estes, então, orarão pelo enfermo e tentarão trazer-lhe algum alívio tanto físico como espiritual — o emprego do óleo mencionado nesse texto tinha objetivos simbólicos (a representação do favor de Deus vindo sobre o enfermo) e humanitários (o óleo era usado para dar refrigério). Em nada essa prática se assemelhava ao curandeirismo evangélico que se vê hoje em dia. Esse tipo de visita, marcada por afeição, cuidado e até serena admoestação, é uma das mais tocantes expressões do trabalho do homem de Deus ocupado em apascentar o rebanho de Cristo, levando-lhe refrigério.

O Novo Testamento ensina ainda que o pastoreio cuidadoso das ovelhas de Cristo é uma das provas principais do amor do ministro por seu Senhor (Jo 21.15-17). Conforme o ensino de Pedro, esse nobre trabalho deve ser realizado de boa vontade, nunca por mera obrigação e, em hipótese alguma, movido pelo anseio de receber alguma vantagem financeira desonesta (1Pe 5.2). Pedro diz ainda que o homem de Deus, no exercício do pastorado, não pode agir como um déspota dominador que subjuga e oprime as pessoas. Antes, tem de exercer sua autoridade apresentando-se como modelo para os irmãos (1Pe 5.3).

O segundo termo designativo da atividade pastoral é “presbítero” (presbyteros). Essa palavra também está ligada à tarefa de ensinar (1Tm 5.17), pastorear (1Pe 5.1,2) e cuidar (Tg 5.14). Porém, o termo evoca ainda outros deveres que apontam para uma posição de destaque e de liderança (At 21.17-19).

Em seu significado básico, o presbítero é um ancião. Assim, em um sentido não técnico, o termo se refere a um homem idoso (At 2.17). Já em sentido técnico, como nos casos em que é usado para designar os oficiais da igreja, a palavra sugere a ideia de honorabilidade e sabedoria. Visto ainda a partir da realidade cultural dos tempos bíblicos, o vocábulo “presbítero” evoca a figura do homem revestido de autoridade que realizava a tarefa de julgar demandas e dirimir conflitos entre indivíduos em litígio.

Ora, tanto a experiência como a própria Escritura mostram que essa função é necessária na igreja, sendo uma forma de evitar que as disputas entre crentes sejam levadas ao magistrado civil, contrariando o ensino apostólico (1Co 6.1-6). Sendo, pois, esse trabalho tão importante e delicado, é o pastor que, atuando como presbítero, deverá realizá-lo ou, no mínimo, presidi-lo, aplicando a cada caso concreto os princípios e preceitos específicos da Palavra de Deus que sejam então cabíveis.

Realizando a importante função de julgador dentro da comunidade da fé, o presbítero será, obviamente, alvo especial de pessoas que se sentirem contrariadas por suas decisões. Por isso, a Escritura proíbe que acusações contra ele sejam aceitas, exceto sob o depoimento de duas ou três testemunhas (1Tm 5.19).

No Novo Testamento, o termo “presbítero” também aparece ligado à tarefa de receber recursos destinados ao auxílio dos carentes, indicando que os pastores são os responsáveis por avaliar a real necessidade de cada um no momento da distribuição da ajuda material ofertada aos pobres da igreja (At 11.29,30). Como juízes, eles também aparecem deliberando acerca de disputas ético-doutrinárias, examinando as razões expostas pelas partes em conflito e, finalmente, emitindo seu parecer que, estando em harmonia com a revelação de Deus em sua Palavra, é acolhido por toda a igreja (At 15.2,4,6,22).

O terceiro vocábulo usado na Bíblia para designar o ofício pastoral é “bispo”. O substantivo grego (epískopos) aparece somente cinco vezes no Novo Testamento, sendo que em uma dessas vezes  se refere a Cristo (1Pe 2.25). As outras quatro ocorrências (At 20.28; Fp 1.1; 1Tm 3.2; Tt 1.7) dizem respeito a líderes da comunidade cristã.

Epískopos é um termo relacionado à atividade de supervisionar ou administrar. Esse sentido se encaixa perfeitamente em um dos deveres pastorais, ou seja, o trabalho de inspecionar a igreja de Deus, primando pela sua pureza vivencial e doutrinária a fim de que ela, em tudo, reflita o caráter do Senhor e seu reto ensino.

Evidentemente, para realizar as funções implícitas nos termos “pastor”, “presbítero” e “bispo” o ministro eclesiástico precisará ter um amplo conhecimento bíblico e teológico (2Tm 2.15). Sem isso, seu trabalho destruirá a igreja, arruinará vidas e, do ponto de vista bíblico e espiritual, será um fracasso completo.

 

Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

 

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