Terça, 24 de Janeiro de 2017
   
Tamanho do Texto

Pesquisar

2012: Mais um Fim do Mundo

O que acontecerá em 21 de dezembro de 2012? Segundo o cineasta alemão Roland Emmerich, diretor do filme 2012, essa é a data para a completa destruição da superfície da Terra.images

Aliás, Roland Emmerich é uma referência em filme-catástrofe e já vislumbrou a destruição do planeta em várias “modalidades”: extraterrestres hostis em Independence day (1996), alterações climáticas incorrigíveis em O dia depois de amanhã (2004) (The day after tomorrow) e até mesmo por intermédio de um monstro jurássico gigante, em Godzilla (1998).

Todavia, a despeito do argumento catastrófico, outro fenômeno cosmológico ocorrerá (como tem sido todos os anos): o solstício de inverno. Ou seja, para os habitantes do hemisfério norte de nosso planeta, será o dia mais curto do ano e, paralelamente, a noite mais longa do ano. Em suma, um período diurno mais curto, mas nada relacionado ao pretenso fim do mundo.

2012 tem, infelizmente, causado insônia a muitas pessoas, principalmente àquelas que não têm 1 bilhão de euros para comprar um ticket para as “naves” de sobrevivência mostradas no desenrolar da história. Também é curioso como temas envolvendo a destruição da criação atraem miríades de pessoas às salas de projeção. Comentários falaciosos são replicados sem qualquer evidência científica tendo como objetivo a propagação de boatos temerosos.

O argumento do filme utiliza o calendário maia para fixar a data fatal. A data deriva de supostos alinhamentos planetários que ocorreriam em 2012, além de uma intensa atividade solar, promovendo significativas alterações terrestres como movimentações da crosta, aumento da atividade vulcânica, alterações dos polos magnéticos e o que mais sua imaginação puder alcançar. O pivô dessa história é um suposto planeta descoberto pelos sumérios, Nibiru, que, ao se aproximar da Terra, causaria nossa destruição. Aliás, essa data – maio de 2003 – chegou a ser disseminada, mas, como nada ocorreu, prorrogaram-na para dezembro de 2012, tendo como fator preponderante o oportuno “fim do calendário maia em 21 de dezembro de 2012”. Como o calendário maia “termina” nessa data, rapidamente o incumbiram de equacionar a data equivocada. Todavia, assim como a data do calendário do programa Windows termina em 31 de dezembro de 2099 – e isso de maneira alguma é uma profecia apocalíptica de Bill Gates –, o calendário maia finaliza uma longa contagem de dias nessa data e recomeça uma nova, e longa, sequência temporal.

Diante da perplexidade da população, que disparou e-mails “meteóricos” à National Aeronautics and Space Administration (Nasa), essa instituição disponibilizou em seu website respostas a perguntas frequentemente feitas. Enfim, não é provável que algo surpreendente ocorra avaliando-se o panorama cosmológico previsto para 2012, nem mesmo um meteoro que destrua parcialmente nossa civilização. Quanto ao ciclo solar, sim, ele existe. A cada onze anos o Sol aumenta sua atividade, mas nada coincidente com a data de 2012. Segundo os cientistas, o máximo que pode ocorrer durante esse período são interrupções de sinais de satélite. Pode até ser o “fim do mundo” para algum torcedor inveterado se isso ocorrer durante as transmissões da Copa do Mundo de Futebol.

Imbuídos do sentimento “In Nasa we trust”* (Na Nasa nós cremos), muitos já respiram aliviados retomando seus planos para os anos seguintes. Mas, e quanto aos cristãos? Será que os cristãos de hoje precisam de informações da Nasa para não permanecer ansiosos e descartar previsões apocalípticas que lhes sejam apresentadas?

O próprio Senhor Jesus Cristo, que não trabalhava na Nasa, nos advertiu que qualquer fixação de datas para o fim do mundo é, sobretudo, alheia à verdade, pois está escrito: “Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai” (Mt 24.36).

O filme também pode ser desmentido pela Palavra de Deus por meio da promessa divina em relação ao dilúvio. Embora o principal veículo de destruição do mundo tenha sido tsunamis globais gigantescos, não há a menor possibilidade de que um fenômeno semelhante ao dilúvio venha a acontecer novamente: “E Deus prosseguiu: ‘Este é o sinal da aliança que estou fazendo entre mim e vocês e todos os seres vivos que estão com vocês, para todas as gerações futuras: o meu arco que coloquei nas nuvens. Será o sinal da minha aliança com a Terra. Quando eu trouxer nuvens sobre a Terra e nelas aparecer o arco-íris, então me lembrarei da minha aliança com vocês e com os seres vivos de todas as espécies. Nunca mais as águas se tornarão um dilúvio para destruir toda forma de vida. Toda vez que o arco-íris estiver nas nuvens, olharei para ele e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies que vivem na terra’” (Gn 9.12-16).

Faz-se necessário ressaltar que o subtítulo do filme – We were warned (nós fomos avisados) – é, de certa forma, um plágio bíblico. Se existe algo que nos adverte há tempos sobre o verdadeiro fim, é a própria Palavra de Deus. Encontra-se um tom claro de severidade em suas afirmações e isso não advém da temível morte terrena, mas da possibilidade de morte eterna daqueles que não crerem em Jesus Cristo como filho unigênito de Deus que foi imolado por nossos pecados. Ademais, há muito foco no fim do mundo coletivo, mas o que dizer do fim do mundo individual? O dia em que o mundo acabará para você? “Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo” (Hb 9.27).

E a Palavra de Deus também nos informa como será esse enfrentamento: “Porque está escrito: ‘Por mim mesmo jurei, diz o Senhor, diante de mim todo joelho se dobrará e toda língua confessará que sou Deus’. Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus” (Rm 14.11,12).

Existe um lado temeroso no Evangelho, tão temível quanto à intenção do subtítulo do filme. Todavia, o Evangelho também é, paralelamente, a maior dádiva que poderíamos receber de Deus: a salvação da perdição eterna. Podem-se perceber esses dois limites nas linhas do apóstolo Paulo: “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores. Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda, por meio dele, seremos salvos da ira de Deus!” (Rm 5.8,9).

Haverá um fim de mundo para você, com certeza! Mas há salvação para o juízo que sobrevirá a ele. Você não precisa ter 1 bilhão de euros para comprá-la (e de nada valeria essa opção): apenas a fé genuína em Jesus Cristo, que é gratuita, dada por Deus. “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).

Você foi avisado, mas você está preparado? Até o dia 22 de dezembro de 2012, “se Deus quiser!"

Leandro Boer** 

___________________

(*) Alusão à expressão americana "In God we trust".

(**) Leandro Boer é membro da Igreja Batista Redenção, tem formação em Medicina, residência em Cardiologia, é doutor em Farmacologia pela UNICAMP e trabalha na área de pesquisas científicas em uma multinacional farmacêutica.

Este site é melhor visualizado em Mozilla Firefox, Google Chrome ou Opera.
© Copyright 2009, todos os direitos reservados.
Igreja Batista Redenção.