Domingo, 25 de Fevereiro de 2018
   
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A Teoria do ‘Big Bang’: Falem Mal, mas Falem de Mim!

Atribui-se a Phineas T. Barnum, um dono de circo do século 19, a frase “não existe má publicidade”. É óbvio que essa ideia é controversa e há claras evidências de que a má publicidade pode acabar com um novo produto no mercado. Por outro lado, como Barnum parece ter dito, não há dúvidas de que a má publicidade pode provocar efeito contrário ao esperado, ou seja, pode gerar a eficiente promoção de um negócio, produto, pessoa e, por que não, uma teoria científica?

Nesse último caso, um exemplo curioso ocorreu em 1949, quando o cientista inglês Sir Fred Hoyle, numa entrevista à rádio BBC, ao tratar com desdém a nova teoria acerca das origens que se opunha à sua (que era a teoria do Estado Estacionário), chamou-a de Big Bang. Embora seus críticos, naquele momento, tenham se sentido insultados, “o feitiço virou contra o feiticeiro” e nasceu, assim, o nome de uma teoria que atrairia facilmente a atenção do mundo.

Como disse Oscar Wilde, “a única coisa pior do que ser falado é não ser falado”. Ao que parece, a ironia desse ditado permeou a história dessa teoria de 67 anos que, ao contrário do que muitos pensam, acumula remendos e ajustes variados, todos feitos para driblar os obstáculos que são levantados contra ela desde a década de 1960.

Alguns desses obstáculos são o “Problema do Horizonte”, a “Planaridade do Univeso” e a “Homogeneidade do Universo”. Os problemas que esses temas suscitam têm levado os defensores da teoria a fazer vários ajustes, todos ainda muito longe de ser consensuais (para mais detalhes, acesse o artigo Big Bang: a teoria dos remendos’, em nosso website). Alguns desses ajustes são mais aceitos do que outros, mas todos envolvem conceitos que beiram o absurdo, propondo extraordinárias peripécias cósmicas impossíveis de ser verificadas, pois, obviamente, trata-se de eventos ligados à origem do Universo. São, assim, ajustes que requerem uma grande parcela de fé por parte de quem os aceita! Só para mencionar, entre esses ajustes, o carro-chefe é o conceito de “hiperinflação” do Universo, seguido de outros conceitos nebulosos como “Matéria e Energia Escura” e a “Teoria das Cordas”.

O que mais espanta na teoria do Big Bang é que, mesmo envolvendo conceitos complexos de cosmologia e física, ela é apresentada às pessoas durante o Ensino Fundamental, quando o aluno, com sete ou oito anos de idade, não tem qualquer condição para compreendê-la em todas as suas nuances e controvérsias. Tampouco possui criticidade madura para perceber suas limitações. Em contrapartida, a alternativa ao modelo, por pressupor a existência de Deus como criador, é instantaneamente apresentada como “não científica”, “religiosa” ou, dependendo das convicções do professor, quase um delírio.

Ora, se perguntas infantis frequentes como “Por que o céu é escuro?” são dificilmente respondidas às crianças por causa da necessidade de explicar conceitos físicos complexos do paradoxo de Olbers, por que o Big Bang é tão facilmente ensinado? Por que essa teoria tem de estar na cartilha dos alunos, apesar de todas as suas dificuldades? A aparente saída para isso tem sido apresentar a teoria como livre de dificuldades, ensinando-a como se fosse um dogmático leitinho adocicado que as crianças engolem facilmente.

Mais tarde, o aluno tem um segundo contato com a teoria. Isso ocorre no Ensino Médio, quando muitos jovens pensam que Big Bang é o novo título de jogo para Playstation ou banda de música. No Ensino Médio há um claro disparate entre as matérias da física clássica e o que se cogita na teoria, mas o problema é ainda mais grave. Nessa fase, a teoria encontra corações adolescentes bastante dispostos a abraçar qualquer ideia que rejeite um Deus que cria, governa e julga os seres humanos segundo seus próprios padrões. Pra piorar, no contexto escolar, abraçar o ateísmo e as teorias que o circundam é um atalho para ser reconhecido como alguém inteligente, perspicaz e livre de conceitos retrógrados. 

É, pois, precisamente nesse momento singular do Ensino Médio que os jovens crentes sofrem provocações e perseguições morais — subprodutos da mente que descarta Deus. E, se, em meio aos inúmeros termos técnicos que envolvem a teoria, um jovem crente perguntar como o nada explodiu e virou tudo que existe, ele é logo ridicularizado. Certamente o professor dirá que não houve uma explosão, mas sim uma “hiperexpansão” — resposta que não passa de uma desavergonhada cortina de fumaça para a realidade de que não se sabe como a tal hiperexpansão deu início ao Universo que temos hoje.

Se tão somente os alunos crentes perguntarem “como pôde ocorrer isso” e o professor for conhecedor da teoria (incluindo seus remendos) e honesto para explicá-los, todos perceberão a enorme ocorrência de palavras como “cogita-se”, “assume-se”, “postula-se”, “espera-se” e até mesmo “acredita-se” em meio a um monte de partículas condicionais “se”. Talvez até a palavra “fé” saia da boca dele num ato falho. A verdade é que o tal professor dificilmente conseguirá omitir que a teoria do Big Bang sempre enfrentou dificuldades consensuais na comunidade científica e tem críticos severos tão ateus quanto seus defensores.

Enquanto, pois, os incrédulos se enredam em suas próprias invenções sem sentido, nós os crentes  seguimos glorificando o Deus salvador que nos fez novas criaturas em Cristo. Ecoando Gênesis 1, ele um dia disse para a luz brilhar no nosso coração escuro, “para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo” (2Co 4.6). Essa iluminação nos livrou não só da perdição futura, mas também das mentiras atuais, mesmo as mais sofisticadas.

Ev. Leandro Boer

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