Sábado, 17 de Fevereiro de 2018
   
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Porque Eu Creio em Deus

O efeito de não se acreditar em Deus é acreditar em qualquer coisa

G.K. Chesterton

O primeiro pensamento que me vem à mente quando penso em compartilhar os motivos de minha crença em Deus é a maneira como a pergunta “você acredita em Deus?” gera respostas tão confusas. O problema realmente não está na esperada resposta afirmativa ou negativa à essa questão, mas sim na resposta à pergunta subsequente ligada à descrição de Deus.

A confusão se dá principalmente porque as pessoas apresentam conceitos muito variáveis, confusos e até contraditórios sobre o que pensam sobre Deus. Muito frequentemente é difícil discernir se estão descrevendo algo ou alguém. Isso pode ser facilmente verificado nos relatórios das pesquisas sobre religião do Pew Research Center.

O segundo pensamento que me vem à mente envolve uma viagem mental à infância, vasculhando a memória na busca de lembranças mais vívidas sobre minha convicção na existência de Deus. De fato, não há em minha memória um momento do tipo “e, então, eu comecei a crer em Deus”. O grande “então” de minha vida aconteceu quando eu me tornei cristão, no dia em que a Escritura foi lida para mim, em que eu me arrependi dos meus pecados e reconheci Jesus Cristo como o Filho de Deus que morreu por meus pecados e ressuscitou para que um dia eu também ressuscitasse e vivesse para sempre. Assim,  eu tive de conhecer o evangelho para crer e ser salvo.

Talvez alguém diga que minha crença em Deus é um dos efeitos de ter nascido num lar católico, com um zelo religioso que não me deixava faltar às missas aos domingos, nem comer carne na sexta-feira “santa”. Ainda que esse argumento seja sociologicamente válido, eu posso garantir que, na verdade, eu “já nasci acreditando em Deus”.

É provável que essa afirmação cause algum espanto nos leitores que esperavam uma frase mais elaborada sobre a existência de Deus vinda de um cientista. Essa, porém, é a verdade: a convicção de que Deus existe já estava gravada em meu coração quando a lanterna do meu intelecto começou a descobrir o mundo ao meu redor.

É interessante lembrar que a Bíblia não discute a existência de Deus. Antes, sem pedir permissão ao leitor, afirma, logo em seu primeiro versículo (Gn 1.1), que Deus existe. É uma afirmação brusca, seca, sem prelúdios lógicos, gerando, por meio da súbita aparição literária, a percepção da eternidade de Deus — alguém sem começo e sem fim — e de um Deus com algo em suas mãos — uma criação e um propósito.

A Bíblia, posteriormente, ensina que sabemos que Deus existe por meio de dois mecanismos: a criação e a providência (At 14.17; Rm 1.20). E foi exatamente nesse contexto, que não exige qualquer treinamento formal na área científica, que a minha convicção de que Deus existia ganhou mais força. Toda vez que eu olhava para o céu estrelado de Ribeirão Preto, em São Paulo, ou observava a explosão de vida (e sua manutenção) neste mundo de forma tão complexa e harmônica que eu entendia que ele não apenas existia (argumento cosmológico), mas que era também o grande legislador das leis científicas que mais tarde aprenderia academicamente (argumento teleológico). De fato, se há leis, deveria haver um legislador e meu coração se enchia com a esperança de conhecê-lo.

Algo, contudo, aconteceu  à medida que eu crescia: eu me deparei com minha falha de caráter, manifesta em diversas formas, e não tardei a desconfiar de que aquele legislador provavelmente não estava apenas preocupado em criar as leis mencionadas em meus livros de ciência (argumento antropológico e moral). Ele também criara leis santas, mostrando o modo de vida que o agrada.

É também importante frisar que minha crença em Deus não é decorrente de qualquer teoria científica ou mesmo da frustração com qualquer uma delas. Minha carreira na área científica me tornou apenas mais apto para verificar como o evolucionismo é uma cosmovisão pautada em pressuposições não verificáveis,  com desdobramentos contraditórios e repletos de viés de interpretação. Para melhor entendimento de como essas teorias não são tão sólidas como alegam seus proponentes, sugiro os websites Answers in Genesis (www.answersingenesis.org) e Creation Ministries International (www.creation.com) que disponibilizam um bom acervo técnico e semitécnico.

No livro de , entre os capítulos 38 e 41, Deus faz 77 perguntas retóricas a Jó — perguntas muito desconcertantes. Todas elas são centradas no seu poder de criação e orquestramento do Universo. É o mais extenso testemunho vindo diretamente da boca de Deus como ser existente desde sempre e Criador de tudo que existe. E esse testemunho é dirigido a uma pessoa que já cria em Deus, não a um ateu! Enfim, o maior sermão criacionista da Bíblia foi dirigido a um... criacionista! Esse fato deve nos fazer refletir: por que Deus deu um testemunho como esse a uma pessoa que não precisava de mais razões para crer nele? Resposta: porque não bastava apenas crer nele, mas mergulhar em seu conhecimento, crescendo num relacionamento de amor e obediência.

Quanto aos ateus, a Bíblia os chama de “insensatos” (Sl 14.1) por desprezarem tão grandiosa demonstração do poder de Deus e sua disposição em recebê-los como filhos arrependidos. Os motivos dessa insensatez são também expostos na Bíblia (Rm 1): ela é fruto da vaidade que corrói a alma e do repúdio de uma autoridade que se opõe aos desejos pecaminosos que ardem no coração. Os ateus, portanto, não devem esperar perguntas retóricas de Deus. Isso é um privilégio somente dos filhos dele que estão em processo de disciplina e aprendizado.

Ev. Leandro Boer

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