Quinta, 21 de Setembro de 2017
   
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As Ofertas no 'Novo Testamento'

Pastoral

Recentemente, tem sido veiculado nas redes sociais e compartilhado por muita gente um vídeo no qual o Pr. Marcos Granconato explica que um dos resultados da atual e equivocada israelização da igreja é que o dízimo prescrito aos judeus na lei é transferido como responsabilidade legal para a igreja, algo que é uma interpretação errada das Escrituras. Achei interessante, a princípio, mas comecei a perceber que o público que curtia e compartilhava aquele trecho de vídeo não se tratava daqueles que se opõe à posição da igreja como um agente distinto de Israel — esses eram a menor parte —, mas sim daqueles que se opõem à própria igreja.

No final, notei que os “fãs” do pequeno vídeo, retirado de um contexto maior, não são aqueles que queriam dar suas ofertas desatreladas do conceito de dízimo do Antigo Testamento, mas aqueles que não querem dar qualquer oferta que sustente a obra do Senhor e que lhe sirva de culto. Na verdade, percebi que muitos dos que compartilhavam o tal vídeo eram aqueles que chamamos de “desigrejados” — os mesmos que também atacam a função pastoral, as reuniões eclesiásticas e a disciplina bíblica — e aqueles que, sem querer cooperar com nada que lhe cause qualquer restrição financeira, querem ser considerados cristãos que cumprem todo seu papel descrito pela Bíblia.

Sendo assim, achei importante apresentar os dois lados da moeda a bem da verdade do ensino bíblico. Um lado da moeda é o fato de a lei do Antigo Testamento, dada aos judeus no Sinai, não pesar sobre a igreja inaugurada no Novo Testamento. Para tanto, cito parte do artigo do Pr. Marcos Granconato chamado O dízimo do homem livre (http://bit.ly/2ccY0D6): “A Lei de Moisés exigia que os israelitas entregassem o dízimo de tudo aos levitas (Hb 7.5). A mesma lei fixava ocasiões em que o próprio ofertante podia participar das dádivas que havia separado (Dt 14.22-26). Nos dias de Jesus, essa norma ainda vigorava (Gl 4.4) e o Mestre a aprovou (Mt 23.23). Porém, com sua morte, uma nova fase começou. A Nova Aliança, diferente da mosaica, apontando Cristo como o novo sumo sacerdote diante de Deus, trouxe mudança de lei (Hb 7.12), livrando o crente das exigências do código imposto a Israel no deserto (2Co 3.7-11; Gl 3.19, 23-25; Ef 2.14-15; Cl 2.13-14; Hb 7.18-19; 8.6-7,13). Assim, não pesa mais sobre o crente nenhum dever legal de dar o dízimo”.

O outro lado da moeda é que a liberdade que a Nova Aliança dá ao crente, ao tirar de suas costas a imposição legal do dízimo, não anula o culto a Deus feito por meio de ofertas voluntárias. E a voluntariedade é a marca das ofertas do Novo Testamento, conforme diz Paulo: “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria” (2Co 9.7). Com isso, em primeiro lugar, o valor da oferta fica atrelada ao propósito particular do ofertante; e, em segundo, sua participação fica atrelada à sua disposição alegre em fazê-lo. Por isso mesmo, em nossa igreja, antes de todo ofertório, é dito que só os crentes podem participar desse momento e, ainda assim, apenas se o fizerem com alegria e voluntariedade. Isso realmente faz jus ao ensino sobre as ofertas no Novo Testamento.

Entretanto, até os mais puros ensinos podem ser distorcidos, corrompidos e mal-aplicados. Digo isso porque comecei a perceber, por meio dos comentários na Internet, que tais ensinos e instruções passaram a servir de base para aqueles que não queriam participar das ofertas, explicando que nada propuseram em seus corações e que não o fariam com alegria. Desse, modo, ao nunca cultuar o Senhor com um pouco da provisão que ele mesmo dá, tais pessoas passaram a dizer que seriam hipócritas se dessem suas ofertas sem alegria. Por incrível que pareça, a explicação é que ofertar seria um ato de hipocrisia que não glorificaria ao Senhor, ao passo que a omissão o honraria como Deus. Se fosse uma piada, isso nos tiraria muitos risos, mas não é, e nos causa espanto e imensa tristeza.

Esse raciocínio é comparado ao daqueles que, por estarem em pecado não tratado, deixam de participar da ceia do Senhor por anos a fio, sob a desculpa de serem crentes espirituais o suficiente para entender que não podem participar da ceia “indignamente” (1Co 11.27), fazendo parecer que não participar da ceia é algo espiritual e correto para um crente. Entretanto, quando Paulo diz “examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice” (1Co 11.28), seu propósito é que os pecados seja revistos, passem pelo arrependimento, correção e abandono e que o crente participe da ceia de modo digno. O apóstolo jamais pensou em ensinar que os crentes devem deixar de participar da ceia simplesmente para não corrigir seus pecados.

Do mesmo modo, quando o Novo Testamento instrui a ofertar com alegria, esse é um ensino que tem a intenção de levar o crente a moldar seu coração segundo os valores de Deus e que, como consequência, a contribuição seja naturalmente feita em alegria e boa disposição. Também, quando ensina que a oferta deve ser conforme o valor disposto no coração, sua intenção é que o crente analise as necessidades da obra de Deus e se proponha a ajudar em seu suprimento.

Desse modo, que os desigrejados, os inimigos da igreja formalmente organizada, os avarentos, os mesquinhos e os indiferentes parem de distorcer o ensino do Novo Testamento em prol dos seus erros e que deixem de usar trechos de ensinos da nossa igreja para justificar uma avareza que em nada honra ao Senhor que tudo nos dá.

Termino com o exemplo da disposição do coração de Davi que, quando ia oferecer holocaustos ao Senhor, recebeu a proposta de Ornã de usar seus animais para tal sacrifício. A resposta de Davi foi: “Não; antes, pelo seu inteiro valor a quero comprar; porque não tomarei o que é teu para o Senhor, nem oferecerei holocausto que não me custe nada” (1Cr 21.24).

Pr. Thomas Tronco

 

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