Quarta, 28 de Junho de 2017
   
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Porcos no Celeiro, Não!

Pastoral

Li, certa vez, num livro de que não me lembro o nome nem o autor, que a disciplina bíblica é a área da eclesiologia aplicada mais negligenciada pela igreja atual. De fato, há pastores que nunca a ensinaram, crentes que nunca ouviram falar dela e igrejas que jamais a praticaram. Posso dizer isso com base até mesmo em minha experiência pessoal. Eu nasci dentro da denominação batista e, ao longo de toda a minha vida, fui membro de cinco diferentes igrejas. Em nenhuma delas vi a disciplina eclesiástica sendo aplicada corretamente. Aliás, algumas delas jamais sequer a mencionaram uma única vez! Por causa disso, observei atônito a membrezia dessas igrejas serem integradas por gente da pior espécie. Adúlteros, fornicadores, pederastas, gente de boca (e de vida) suja, golpistas e criminosos eram tolerados nessas igrejas, exercendo ali até cargos de liderança sem problema algum e sem qualquer exigência de que se arrependessem e mudassem de vida.

Muitas vezes, essa perigosa tolerância vinha acompanhada de desculpas covardes e espiritualóides do tipo “quem somos nós pra julgar?” ou “temos que amar essas pessoas”, ou ainda “quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”. Essas desculpas esquecem que temos obrigação de julgar os atos pecaminosos dos nossos irmãos (1Co 5.12-13), sendo vedado por Jesus somente o juízo temerário. Esquecem também que a disciplina não é um ato de ódio, mas sim de amor, que visa, entre outras coisas, a recuperar o ofensor. Além disso, também esquecem que não podemos atirar a primeira pedra somente em pessoas que pecaram e se arrependeram. Pecadores obstinados continuam sujeitos à disciplina da igreja, não importando se alguém prefere chamar isso de apedrejamento.

O fato é que, com desculpas ou sem desculpas, quase nenhuma igreja atual aplica a disciplina eclesiástica nos moldes ensinados no NT. Muitas, aliás, inventam um sistema disciplinar com base apenas na criatividade de seus líderes e chamam essas invenções de disciplina. Por exemplo: em algumas igrejas, a pessoa que peca é proibida de tomar a ceia (arrependendo-se ou não); outras igrejas obrigam o crente que pecou a se sentar somente nos últimos bancos por algum tempo; outras suspendem os privilégios e atividades do membro por três meses; outras ainda dão tarefinhas ao pecador como decorar versículos, ler um livro, pagar vinte flexões... Opa! Confesso que aqui eu exagerei. Seja como for, o que quero dizer é que nada disso corresponde ao conceito de disciplina bíblica, tendo o nada como resultado e até incentivando a prática do erro por meio de penalidades bobas e infrutíferas.

Na Bíblia, a disciplina eclesiástica é aplicada somente a pecadores obstinados, gente que, depois de repreendida várias vezes, não se arrepende (Mt 18.15-17) e também a pessoas que assumem seu pecado publicamente, sem nenhum recato (1Co 5.1-5). Para gente assim, a penalidade não é uma punição inventada por pastores criativos, mas sim a expulsão da pessoa da comunhão cristã, o rompimento dos laços de amizade e o abandono do indivíduo aos domínios do diabo (Mt 18.17; 1Co 5.5, 9-11), tudo a fim de induzi-lo ao arrependimento, além do propósito de preservar a pureza da igreja (1Co 5.6).

Quão melhores seriam as igrejas se colocassem em prática os ensinos de Jesus e dos apóstolos! Quantos lobos sairiam correndo dos apriscos de Deus, tangidos pelo medo da santa severidade! Quantos escândalos que emporcalham o evangelho seriam evitados caso os porcos fossem expulsos dos divinos celeiros da graça! Quantos crentes de verdade se sentiriam mais seguros dentro das diversas comunidades de fé ao saberem que ali a pureza é preservada e que os maus não tem espaço e nem voz!

Por tudo isso, resgatemos e preservemos a disciplina eclesiástica nos exatos moldes do NT. O preço disso pode ser alto, mas os benefícios serão singulares, incomparáveis e duradouros.

Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria
Non Nobis Domine

 

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