Quarta, 23 de Agosto de 2017
   
Tamanho do Texto

Pesquisar

Inimigo Meu

Pastoral

Quis Deus, naquela manhã, que eu me confrontasse, face a face, com meu pior inimigo. Não que eu seja de fazer inimigos, mas eventualmente acontece.

Aquele homem me olhou fundo nos olhos e, inadvertidamente, sorriu. Sim, aquele assassino, facínora e hipócrita sorriu pra mim. O pior é que o sorriso parecia tão sincero que se comportou como um velho amigo. Sorri também.

O sorriso talvez evocasse o passado nem sempre hostil. Antes de eu ser crente, aquele homem foi, na verdade, um grande amigo. Alegrava-se com minhas vitórias e sempre esteve comigo em minhas dificuldades — eu acreditava que seríamos próximos até o fim.

No dia em que me converti, tudo mudou. Ele se mostrou contrário às minhas iniciativas cristãs e se tornou um obstáculo constante nas decisões em busca de santidade. Com o tempo, percebi que ele queria a minha destruição e trabalhava árdua e incansavelmente para me derrotar.

Naquela manhã fatídica, fitei-o sem desviar o olhar. Não pude ignorar em meus pensamentos que, se Deus não tivesse me protegido, aquele meu inimigo teria destruído minha família, acabado com meu casamento e me afastado dos filhos; teria consumido meus bens, feito-me perder o emprego e ministério e teria me deixado na rua, mendigando o pão, impiedosamente.

Eu sei o tipo de pessoa que meu inimigo é. Em público, parece boa gente — é educado e paciente. Parece se relacionar bem com todos. Manifesta carisma e atenção. Mas, na intimidade, é ruim, maldoso, insensível e desconfiado. Posso garantir que já escorregou em cada um dos dez (e de todos os outros) mandamentos. O coração dele é mau, seus olhos são ruins e os pés dele são feios!

Naquela manhã de reencontro, enquanto encarava aquela figura, fiquei pensando: Senhor, por que me colocar diante deste sujeito logo hoje, aqui neste lugar que devia ser só meu? Por que o Senhor não preparou de eu nunca mais vê-lo, de nunca mais ter de contemplar seu sorriso, nunca mais adentrar seu olhar impuro e seu cinismo patológico?

Confesso que pensei em matá-lo; mas matar um inimigo seria justificável? Até onde sei, não é assim que cristãos enfrentam seus adversários.

Cogitei, então, uma forma mais altruísta e também radical de nunca mais ter de encará-lo: arrancaria meus próprios olhos!

Naquela tensão de esmurrar o próprio rosto e ferir-me, hesitei. Fraco que sou, simplesmente optei por embaçar o espelho...

“Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24).

Pr. Pedro Freitas

 

Este site é melhor visualizado em Mozilla Firefox, Google Chrome ou Opera.
© Copyright 2009, todos os direitos reservados.
Igreja Batista Redenção.