Sábado, 29 de Abril de 2017
   
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Correndo sem Distrações

Pastoral

Desenvolvi o hábito de correr sem ouvir música. Os fones de ouvido me incomodam e, além do mais, mesmo não entendendo muito do assunto (mas gostando bastante), tento identificar a sonoridade dos instrumentos e a variação dos timbres vocais. Nem sempre consigo captar essas coisas, mas, diante de uma boa música, distraio-me com muita facilidade, de modo que não presto a devida atenção ao que se passa comigo e ao meu redor.

Alguns estudiosos dizem que a música faz com o que corredor diminua a percepção do esforço que realiza durante suas atividades físicas. Ela funciona como um “bloqueador” de certos estímulos que, por fim, acabam inibindo, em certa medida, a fadiga. É uma pena que, para mim, a música seja uma distração — e distração não rima com corrida.

Aprendi, a duras penas, que a prática desse esporte exige muita atenção, foco e determinação. Depois de duas lesões relativamente sérias, que me afastaram por um tempo do esporte de que mais gosto, compreendi que, ao longo de toda corrida, eu devia ficar atento a tudo: tipo de solo, pisada, distanciamento das passadas, respiração, batimento cardíaco, hidratação e alimentação. Correr exige muito mais do que apenas correr.

A vida cristã é muito semelhante à experiência que tive com a corrida. Não é sem razão que o apóstolo Paulo também faz essa associação (1Co 9.24-27). Definitivamente, não fomos resgatados para apenas crer que Deus existe, nem para somente frequentar uma igreja e ter a sensação de fazer parte de uma grande família. Tenho a impressão de que muitos que afirmam ser crentes hoje em dia não passam de pessoas entusiasmadas com a “onda do momento”.

Assim, mais do que seguir uma atração religiosa momentânea, é imprescindível que o cristão, como bom corredor, observe o manual, sim, aquele “velho” manual que, talvez, esteja empoeirado e esquecido em algum lugar. É somente lá, na Palavra de Deus, que encontraremos orientações valiosas sobre como devemos realizar a corrida que nos foi proposta. O mundo, a carne e o diabo, usando suas “músicas”, buscam captar toda nossa atenção, tirar nosso foco e minar nossa força. Por isso, medidas radicais devem ser tomadas.

Sem dúvida, há muitas vozes que, apresentando-se como belas canções, tentam confundir os eleitos do Mestre. Vozes incansáveis que não se calam, que não silenciam até que, enfim, encontrem espaço em ouvidos desatentos. Como é desprezível o coro deste mundo! Fala de divórcio como quem fala de troca de vestuário. Fala de aborto como quem fala de estética. Fala de homossexualidade como se não fosse uma aberração...

Há, de fato, muitas vozes, mas a do grande Pastor, que como cordeiro foi imolado para dar vida aos que não eram dignos dela, é inconfundível. “Minhas ovelhas”, disse Jesus, “ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão” (Jo 10.27-28).

Em face disso tudo, para não nos distrair enquanto corremos, temos de lembrar que Deus nos fez atletas por uma razão. As palavras do apóstolo Paulo ecoam, chegando até nós: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos” (Ef 2.8-10).

São muitos os ruídos, mas todos se calam diante do Verbo que se fez carne, que morreu e tornou a viver para dar vida aos que eram merecedores da morte, a fim de clarear o caminho dos que viviam em trevas. Ele morreu e tornou a viver para fazer dos que caminhavam, sem rumo, corredores com um objetivo: promover a glória do Rei.

Robson Maciel

 

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