Segunda, 23 de Janeiro de 2017
   
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Mantenha Acesa a Mensagem do Natal

Pastoral

O cristianismo teve de enfrentar perigos e oposição logo que surgiu. A gente vê isso facilmente nos escritos do NT. Nessas obras, podem-se perceber as metas apologéticas dos escritores sagrados, sempre tentando defender a fé em face de alguma ameaça interna ou externa.

Entre as ameaças que mais preocuparam os apóstolos (e os mestres cristãos que viveram poucos séculos depois deles), pode-se encontrar o que, mais tarde, recebeu o nome de gnosticismo. O gnosticismo era um sistema filosófico-religioso difícil de ser definido, posto que abrangia diversas colorações e envolvia um aglomerado de crenças, doutrinas, princípios e superstições decorrentes de quase todos os modelos religiosos e filosóficos da época. Até elementos do cristianismo eram abarcados pelo gnosticismo nascente, o que o tornava ainda mais perigoso para a igreja, uma vez que confundia os crentes com a aparência de estar de acordo com as doutrinas cristãs em alguns aspectos.

No vasto emaranhado de ensinos gnósticos que se desenvolviam e se espalhavam no século 1, havia a crença (decorrente da cosmovisão helenista) de que a matéria é má. Talvez alguém possa imaginar que essa crença é inofensiva e que não afeta em nada a nossa vida ou a nossa fé. Porém, os mestres do protognosticismo levaram esse ensino às últimas consequências e afirmaram que, sendo a matéria má, Deus (que é espírito) jamais se sujeitaria a ela. Assim, para eles, o ensino cristão sobre a encarnação do Verbo era um absurdo e a doutrina da ressurreição física, simplesmente inaceitável. De fato, alguns mestres dessa vertente herética diziam que Jesus jamais tivera um corpo físico e que sua ressurreição tinha sido meramente espiritual.

Foi por causa disso que João, por exemplo, fez questão de afirmar que “o Verbo se fez carne” (Jo 1.14) e que “nossas mãos apalparam” o Verbo da vida (1Jo 1.1). Foi também por isso que Paulo escreveu que, em Cristo, “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9). Passagens como essas tinham como um dos seus objetivos alfinetar os proponentes da heresia nascente e foram muito úteis na defesa da fé cristã durante os primeiros tempos do cristianismo.

Por que estou escrevendo sobre isso? Bem, nós estamos vivendo o mês em que os cristãos, tradicionalmente, comemoram o natal de Jesus Cristo. Eu sei (acho que todo mundo sabe) que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro e que essa data foi escolhida apenas como uma tentativa de cristianizar o calendário pagão após a “conversão” do imperador romano. Do mesmo modo como cristianizaram os templos dedicados aos deuses e os transformaram em igrejas, também cristianizaram o calendário, celebrando eventos e personagens bíblicos em dias antes dedicados a divindades do panteão greco-romano. Eu sei disso tudo. Mesmo assim, não demonizo o dia 25 de dezembro. Acho legal ter uma data para celebrar a encarnação e, se essa foi a data escolhida desde os tempos antigos, então que seja! Não sei em que isso prejudica a fé, a justiça ou a verdade.

Bom, o que quero dizer, afinal, nesses tempos em que se comemora o Natal, é que, assim como no passado os mestres do protognosticismo quiseram apagar a realidade da encarnação, hoje isso é feito novamente pela teologia liberal e pelo secularismo ateu. Sim, os falsos mestres modernos trabalham incansavelmente para inculcar na mente do povo a ideia de que a história do “Deus encarnado” não passa de mito — uma lenda inventada por gente ignorante e supersticiosa que se deleitava em contar feitos e episódios incríveis e imaginários.

A partir daí, removendo a realidade do Verbo que se fez carne, o personagem Jesus se torna apenas um filósofo com ideias reacionárias que, com essas mesmas ideias, provocou a fúria dos poderosos do seu tempo. Crendo em um Jesus assim, o cristão passa a ser definido não como um pecador perdoado e salvo da perdição eterna (para essa gente, a perdição eterna não existe), mas sim como alguém que ajuda os fracos e que jamais se curva diante dos poderosos opressores que lideram Estados, igrejas ou mesmo lares.

O fato é que, anulando-se a doutrina do Deus encarnado, o verdadeiro cristianismo desaparece, dando lugar, inclusive, a discursos revolucionários demagogos e a apelos assistencialistas batidos incapazes de transformar vidas e salvar almas.

Por isso, neste mês em que tradicionalmente se comemora o Natal, nós, que somos crentes de verdade, devemos aproveitar o ensejo para proclamar seu real sentido aos corações cansados de nossos dias. Devemos aproveitar o sopro natalino presente no ar para falar durante os cultos, festas, passeios e conversas informais sobre o milagre da encarnação, mantendo acesa a mensagem verdadeiramente evangélica de que Jesus é o Deus manifesto em carne que, nessa mesma carne, sofreu o castigo pelas nossas culpas, podendo agora perdoar e salvar todos aqueles que, pela fé, se achegam a ele.

Pr. Marcos Granconato

Non nobis Domine

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