Terça, 28 de Fevereiro de 2017
   
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Eclesiastes 8.1-9 – O Sábio e sua Relação com as Autoridades

 

O capítulo 8 começa de um modo curioso, pois o rei Salomão alerta seus leitores quanto aos perigos de se viver sob um monarca. Apesar de dizer o óbvio, guiando o leitor que quer ser sábio a se sujeitar à justiça e às leis, o escritor, mesmo estando do outro lado da moeda, não afirma a sabedoria e a justiça dos reis como fatores indubitáveis. Ao contrário, ele ensina o procedimento sábio inclusive para os súditos de reis injustos. É claro que os críticos do livro se valem desse modo do autor tratar a monarquia para atacar a autoria de Salomão, afirmando que um rei jamais falaria tais coisas. Entretanto, esse texto demonstra até que ponto o Pregador levou a sério suas observações e o quanto se dispôs a transmitir a fim de favorecer a vida das pessoas que temem a Deus.

Salomão inicia sua nova argumentação com perguntas retóricas a respeito da pessoa sábia (v.1): “Quem é como o sábio? E quem conhece o significado das palavras? A sabedoria do homem faz seu rosto brilhar, pois muda a dureza da sua face”. Alguns estudiosos de Eclesiastes gostam de conectar esse versículo ao capítulo anterior, justificando que a sabedoria é o tema de todo o capítulo 7. Entretanto, essas perguntas retóricas teriam menos sentido e aplicação para terminar aquela argumentação que para iniciar uma nova. Além do mais, o efeito da sabedoria aqui exposto — transformar a expressão de uma pessoa — conecta-se perfeitamente aos versículos seguintes, mas não apresenta uma relação clara com o final do capítulo anterior.

A primeira pergunta parece querer distinguir o sábio dos demais, destacando sua qualidade e a vantagem que obtém diante dos outros. A resposta lógica à pergunta é “ninguém”. A segunda pergunta é marcada por certa dificuldade de tradução. A palavra traduzida como “significado” só aparece aqui no AT e tem o sentido de “solução” ou de “interpretação”.[1] Os dois sentidos trabalham juntos, sendo que a “interpretação” (ou o “diagnóstico”) é o conhecimento que se obtém por meio de uma análise, enquanto a “solução” (ou a “explicação”) é a noção de como agir com o conhecimento que se obteve. Visto que ela está inserida em uma expressão aberta e pouco específica, podemos pensar nessa palavra de um modo amplo que una tanto o conhecimento teórico como a noção de aplicação prática. Unido à palavra seguinte, parece apontar para o modo como o sábio utiliza seu conhecimento, distinguindo-se dos demais. Ele sabe o significado das “palavras” que lhe são ditas, não apenas no que tange ao seu sentido, mas também no que elas representam para sua vida. Por isso, o texto poderia dizer que ele “conhece o significado das coisas que acontecem”. Essa possibilidade seria preferível se o versículo seguinte não levantasse um problema ligado justamente às “palavras”.

De qualquer modo, essas perguntas trazem mais dúvidas que explicações, não quanto à resposta retórica que ambas exigem, mas em relação aonde o escritor quer, com elas, guiar seus leitores. A compreensão vem na segunda parte do versículo, que diz que a “sabedoria” faz a expressão de uma pessoa “brilhar”, tirando o aspecto de “dureza” da sua fisionomia. Mudar “a dureza da sua face” é uma referência ao modo como a sabedoria transforma as reações do homem sábio diante das situações que o deixam indignado e nervoso, sentimentos que, normalmente, são expressos na forma de um semblante fechado. Saber lidar bem com as palavras que lhe são dirigidas e que lhe desagradam — como sugerido nas perguntas retóricas — é uma marca que distingue o sábio e o preserva de consequências ruins.

A próxima pergunta a se fazer — dessa vez por parte do leitor — é: Que palavras são essas a que o escritor se refere? A resposta vem na sequência (v.2): “Obedeça à ordem do rei por causa do compromisso com Deus”. A instrução “obedeça à ordem do rei” significa, literalmente, “observe a boca do rei”, ensinando a atentar a tudo que o rei diz e a guardar suas instruções por meio da atitude de obediência.[2] Essa, a princípio, pode parecer uma instrução motivada por parcialidade ou interesses pessoais, já que vem de um rei. Entretanto, o Pregador não parece estar interessado em si, mas sim no sábio, razão pela qual iniciou o texto falando da sua distinção e do seu modo de saber proceder diante “das palavras” (v.1). As palavras em questão, introduzidas de modo geral no versículo anterior, estão ligadas ao comando ou “à ordem do rei”. O que o escritor quer dizer é que o sábio as obedece e sabe lidar com elas.

A razão para isso é o “compromisso com Deus”. A palavra “compromisso” também tem o sentido de “juramento” e aponta para um relacionamento em que a lealdade é um requisito obrigatório. Alguns textos bíblicos nos dão a ideia de que os súditos faziam um juramento de lealdade aos seus reis (2Cr 36.13; Ez 17.13), mas o texto em si não aponta para juramentos pessoais isolados, mas para o seu caráter geral,[3] não abrindo espaço para que se isente o súdito que não fez um juramento específico. Desse modo, é mais provável que se trate de uma obrigação compulsória de obediência ao rei como autoridade, tanto dentro da estrutura hierárquica controlada e determinada pelo Senhor para Israel como em reinos nos quais porventura servissem. O texto não faz menção a um rei específico, nem a uma nação, mas cita o cargo monárquico de modo geral. Por isso, cremos que a melhor tradução seja o “compromisso” que se tem diante de Deus em vez de um “juramento” específico feito ao rei diante de Deus. O mesmo conceito é encontrado no NT (Rm 13.1-7; Tt 3.10; 1Pe 2.13). Pessoas que seguiram essa instrução e foram beneficiadas por ela, na história bíblica, foram Daniel, Neemias e Mordecai,[4] todos eles obedecendo a reis de outras pátrias.

A ideia do autor vai sendo descortinada a cada versículo, apresentando um quadro mais completo e compreensível do seu ensino geral (v.3a): “Não seja apressado para sair da presença do rei, nem se levante para defender uma causa ruim”. O comportamento perante um monarca é igualmente aplicável a situações que podemos encontrar em qualquer nível burocrático, nas quais normalmente não se consegue nada provocando ou sendo descortês com aqueles que têm autoridade.[5] Sendo assim, a primeira parte dessa instrução previne os leitores a respeito da insubordinação. A princípio, não fica muito claro o que, exatamente, é “sair da presença do rei”. Pode ser uma menção a um servo que abandona suas tarefas, um soldado que abandona seu posto, ou simplesmente alguém que vira as costas ao rei e sai da sua presença. O fato é que é menos importante o lugar de onde o súdito sai que o modo como ele sai. A julgar pelo que Salomão disse dois capítulos à frente, seu alerta é contra demonstrar algum tipo de inconformismo na presença do monarca: “Se o governador se irar contra você, não deixe o seu lugar, pois a calma pode apaziguar grandes ofensas” (Ec 10.4).

Com isso, o versículo 1 passa a fazer mais sentido, já que diz que a sabedoria “muda a dureza da face”, de modo que o sábio se torna mais brando, sereno e simpático em suas reações, especialmente diante de autoridades que podem prejudicá-lo. Aplicado ao versículo 3, esse ensino evita que a pessoa, ao ficar nervosa ou indignada com o rei, tenha reações que demonstrem insubordinação e falta de educação com alguém cujo cargo — não necessariamente a pessoa — exige um tratamento reverente e respeitoso. A segunda parte da instrução ensina que defesas erradas e inaceitáveis também devem ser evitadas na presença do monarca, pois ele tem poder e meios para punir o mal, ou o que ele considere mal. O versículo 1 também volta à mente do leitor com sua ideia de que o sábio lida bem com as palavras, incluindo as suas próprias, de modo que não pleiteará causas reprováveis. Como rei, Salomão lidou com casos de insubordinação e com planos reprováveis e inaceitáveis, como a traição velada de Adonias e Joabe (1Rs 2.13-25,28-34) e a desobediência de Simei (1Rs 2.36-46), nos quais todos os infratores foram mortos sob suas ordens.

Isso nos leva à razão pela qual alguém não deve desrespeitar ou enfrentar autoridades (v.3b): “Pois o rei faz tudo que deseja”. Esse trecho significa, em hebraico: “Pois ele faz tudo que lhe apraz”. Contudo, não há qualquer dúvida sobre quem seja “ele” na frase, de modo que a inserção da palavra “rei” aqui serve apenas para ajudar o leitor a compreender melhor a ideia do versículo. Normalmente, em uma argumentação desse tipo, esperaríamos ler a frase que afirma que “o rei faz tudo que é justo”. Mas não é isso que o escritor afirma. Ele parece querer apontar ao leitor o poder que o rei tem de executar seus planos e não, necessariamente, de fazer o que é certo. Essa perspectiva prossegue no texto seguinte (v.4): “Visto que a palavra do rei é soberana, ninguém lhe dirá: ‘O que você está fazendo?’”. A palavra traduzida como “soberana” também significa “poderosa” e vem da mesma raiz do termo “sultão”.[6] Isso quer dizer que o rei tem autoridade absoluta em seu reino, não importando se está certo ou errado. Não há, em um reino, um cargo acima do rei que lhe sirva de juiz, sendo ele mesmo o juiz e o governador máximo. O texto também deixa transparecer que o monarca não pode ser impedido por outros de fazer o que achar melhor. Diante disso, o escritor alerta para o grande perigo de apresentar “dureza em sua face” diante dele (v.1), de desobedecer “à ordem do rei” (v.2), de ser “apressado para sair da presença” dele e de “defender uma causa ruim” aos seus olhos (v.3).

Ao contrário dos tolos, com seus procedimentos incautos, o sábio conhece o modo certo de proceder nas situações em que o insensato age mal (v.5): “Aquele que obedece às suas ordens não sofrerá dano, pois o coração do sábio conhece o tempo e o modo correto de proceder”. O trecho “não sofrerá dano” quer literalmente dizer “não conhecerá a palavra ruim”, ou seja, a realidade de alguém que não chega a sofrer com uma decisão proferida pelo rei que o puna e o prejudique. Isso faz com que a frase tenha um paralelo interessante formado pelo uso do verbo conhecer. Segundo o texto, a pessoa sábia não chega a conhecer, na prática, o “dano” por agir mal, pois conhece “o tempo e o modo correto de proceder”. A diferença entre os dois conhecimentos e suas consequências é a sabedoria de quem obedece e a tolice de quem desafia quem tem mais poder. É claro que isso não é uma garantia matemática, pois os reis, assim como os pobres, são pecadores. Contudo, o sábio que teme a Deus está mais preparado para lidar com essas dificuldades que os demais.[7]

A razão para o sábio não conhecer ou não receber dano das autoridades é que ele “conhece o tempo e o modo correto de proceder”. A verdade é que ele, assim como os outros, também sofre com cargas injustas impostas por seus governantes. Entretanto, ele não se exaspera mesmo nos dias maus porque está convencido de duas coisas. Uma delas é o poder que as autoridades têm para aumentar seu sofrimento sem que ninguém possa impedir. Isso faz com que ele, independente de a autoridade ter razão ou não, assuma uma postura sábia de um bom súdito que não aparece muito entre os demais, nem chama atenção para si. Outra delas é a certeza de que haverá um tempo de julgamento em que todos serão corrigidos (cf. 12.14). A certeza da justiça retributiva é tão forte em sua mente que ele não recorre à rebelião para retificar as coisas erradas, mas desenvolve a paciência, deixando a correção dos abusos nas mãos de Deus.[8] Assim, quando ele entende que não é “tempo” de agir, cala-se e continua em seus afazeres, aguardando o momento em que possa fazer as coisas do “modo correto de proceder”, obtendo louvor das autoridades em vez de punição.

Mas por que o sábio teria conhecimento de tempo e modo com relação às autoridades? Será que é preciso ter experiência política para ser sábio e conhecer esses fatores tão importantes? Não! Na verdade, eles se aplicam a qualquer situação, de modo que o sábio percebe essa realidade e a põe em prática desde as coisas mais simples até às mais complexas (v.6a): “Pois para todo propósito há tempo e modo correto de proceder”. Ao dizer “para todo propósito”, o Pregador torna o ensino específico que deu no trato com o rei em uma regra universal, aplicada à vida como um todo. Isso significa que a humanidade encontra dificuldades de relacionamento em todas as esferas do seu convívio e, em todos os relacionamentos, o homem sensato sabe a hora de agir e de não agir e também sabe quais são os modos correto e incorreto de fazer as coisas. Por ser sábio, ele não insiste nos meios errados por simples impulsos, orgulho, vingança, despeito, provocação, mágoa, ira e qualquer outra razão nada louvável para agir.

A explicação para a necessidade do procedimento correto em relação ao tempo e ao modo está no fato de que o homem caído vive sob circunstâncias não ideais (v.6b): “Pois grande é o mal que está sobre o homem”. Essa é certamente uma frase mais genérica do que os intérpretes gostariam, pois não é especificado que tipo de mal o autor tem em mente. Isso pode significar que o rei e as demais autoridades, por serem pecadores, são também, em certa medida, injustos e acabam por sobrecarregar seus liderados. Pode também significar que eles são sugestionáveis e vulneráveis a pessoas ao seu redor que queiram manipulá-los a fim de fazer mal aos outros, como no caso de Hamã sobre Assuero, no livro de Ester, ou como Herodes, o Grande, que, manipulado por parentes, mandou matar o sumo sacerdote Hircano, seu cunhado Aristóbulo, sua esposa Mariana e seus filhos Alexandre e Aristóbulo.[9]

Ou, talvez, seja uma menção ao fato de que o homem não sabe como as pessoas vão reagir às suas ações, o que encontra uma explicação perfeita no versículo a seguir (v.7): “Visto que ninguém sabe o que acontecerá no futuro e que não há quem possa anunciar o que ocorrerá”. A razão do “mal” é que as pessoas não sabem o que ocorrerá e quando ocorrerá.[10] Isso quer dizer, dentro desse texto, que os súditos do rei não têm como prever as reações do monarca aos seus atos, dependendo, às vezes, dos acontecimentos do dia ou do seu humor. Mais uma vez, o Pregador alerta seus leitores sobre a inconstância das autoridades e sobre possíveis injustiças e mazelas promovidas por seu poder excessivo, razão pela qual o sábio percebe que é necessário entrar em acordo com tais autoridades[11] a fim de preservar sua segurança e a dos seus.

Para explicar a importância que esse ensino tem diretamente sobre a vida das pessoas, Salomão oferece sua instrução embasada em duas comparações vívidas e didáticas. A primeira delas é o “vento” (v.8a): “Assim como ninguém tem poder sobre o vento a fim de detê-lo, ninguém tem poder sobre o dia da sua morte”. A primeira parte dessa frase poderia dizer apenas “ninguém tem poder para deter o vento”. Entretanto, a palavra vento é repetida de modo a enfatizar a ação que é impossível ao homem: “Detê-lo”. Isso é exposto a fim de produzir a ideia correta na segunda parte da frase, que ensina que homem algum pode deter a morte, nem prorrogar o fim da sua vida. Esse versículo isolado lembra o fato de que o homem não pode influenciar o dia da sua morte,[12] nem aumentar os dias da sua vida conforme foram determinados por Deus (Sl 139.16), mesmo se trabalhar ansiosamente por isso (Mt 6.27). Entretanto, acrescentando-se a ideia do contexto geral, o significado imediato desse ensino é que, quando o rei ordena a morte de um súdito, não é possível detê-la, de modo que a autoridade máxima tem mais poder sobre o dia da morte de um súdito que ele mesmo.

A mesma ideia é repetida na segunda parte do versículo, só que com algumas cores adicionais dadas pela comparação que, dessa vez, é a “guerra” (v.8b): “Assim como não há dispensa na guerra, a iniquidade não preserva o iníquo”. Do mesmo modo como na primeira parte do versículo, a base de comparação é dada em primeiro lugar e, nesse caso, aponta a impossibilidade que um soldado tem de ser dispensado do exército em tempos de guerra, quando ele é mais necessário aos seus comandantes. Essa impossibilidade de liberação militar forma o pano de fundo para o quadro seguinte, no qual a “iniquidade” ou a “maldade” também não liberam a pessoa que agiu segundo o padrão “iníquo”. Atrelada à primeira parte do versículo, há aqui uma mensagem de que não é possível evitar as consequências de se agir injustamente ou com rebeldia em um reino. A iniquidade e os crimes de um cidadão não podem nem serão ignorados ou relevados pelas autoridades. Mais cedo ou mais tarde, o tolo será punido pelas suas ações erradas e indevidas.

A conclusão do trecho vem, também, em duas partes. Na primeira, Salomão afirma que todo o conhecimento sábio que transmitiu aqui foi fruto de suas análises cuidadosas (v.9a): “Percebi tudo isso quando apliquei meu coração a entender todas as obras que são feitas debaixo do Sol”. Essa parte do versículo também divide os tradutores, sendo que alguns — assim como optado aqui — veem essa frase como uma conclusão do que foi dito antes, enquanto outros ligam esse trecho ao próximo, geralmente com a ajuda de um sinal de dois pontos. A primeira possibilidade é preferível, pois a menção é mais abrangente que a apresentação de uma lição apenas. Assim, o autor dá credibilidade a todas as sutilezas dos relacionamentos, dos governos e das fraquezas humanas, baseando todas elas em suas pesquisas dotadas de conhecimento e sabedoria. Dito isso, agora sim ele pode dar um alerta final a fim de encorajar seus leitores a seguir seus conselhos (v.9b): “Há ocasiões em que o rei tiraniza um homem a fim de fazer-lhe mal”. O termo “o rei” se encontra no original na forma de “o homem”. Entretanto, tanto o contexto como a ação de “tiranizar” ou de “governar sobre” apontam diretamente para a pessoa do rei.

Duas lições podem ser extraídas do versículo 9, uma mais positiva e outra mais desanimadora. Uma delas — a positiva — é que o rei tem a responsabilidade de exercer a justiça e tem poder para isso, de modo que, diante de um bom rei, seus súditos encontram proteção, pois ele não descansará até erradicar o mal do seu reino. A outra lição — a desanimadora — é que nem sempre os reis e as autoridades são sábios e justos e, quando não são, suas motivações fazem com que persigam pessoas inocentes a fim de destruí-las. O próprio Salomão viu dias em que agiu com tamanha falha de propósitos e de caráter que perseguiu duramente seu bom servo Jeroboão simplesmente por ter sido informado por um profeta que ele governaria a maior parte do reino que seria dividido por causa dos pecados do rei. Em vez de Salomão aproveitar a oportunidade e se arrepender, tentou matar Jeroboão a fim de impedir, tolamente, o cumprimento da profecia divina, fazendo com que Jeroboão fugisse para o Egito a fim de preservar a própria vida (1Rs 11.28-40). Isso quer dizer que a sujeição às autoridades, apesar da sabedoria que tal ação carrega em si e dos problemas que ela normalmente evita, não tem o poder de garantir que conseguirá evitar o abuso de autoridade.[13]

A conclusão a que podemos tirar para nossa vida diária é que devemos nos sujeitar às autoridades tanto como serviço de um caráter transformado que deseja honrar a Deus na sociedade como pelos riscos que há em se levantar contra as autoridades ou desobedecê-las, independente se são justas e sábias ou não. O cristão não foi chamado agora para dominar o mundo politicamente, mas para espalhar a mensagem do evangelho na sociedade tanto com suas palavras como com seu procedimento justo e santo, bem diferente do mundo. Algumas vezes, é difícil honrar autoridades corruptas e injustas, mas temos a certeza de que, acima de todas elas, está nosso santo Deus e salvador, que sabe honrar nossa fidelidade agora e que julgará todas as injustiças no futuro.

Pr. Thomas Tronco

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[1] Harris, R. Laird; Archer Jr., Gleason L.; Waltke, Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1248, § 1847.

[2] Ogden, G. S.; Zogbo, L. A Handbook on Ecclesiastes. UBS Handbook Series. New York: United Bible Societies, 1998, p. 280.

[3] Eaton, Michael A; Carr, G. Lloyd. Eclesiastes e Cantares: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 2006, p. 125-126.

[4] Keil, C. F.; Delitzsch, F. Commentary on the Old Testament. Peabody: Hendrickson, 1996, vol. 6, p. 744.

[5] Winter, J. Opening Up Ecclesiastes. Opening Up Commentary. Leominster: Day One Publications, 2005, p. 104-105.

[6] Schökel, Luiz Alonso. Dicionário Bíblico Hebraico-Português. São Paulo: Paulus, 1997, p. 674.

[7] House, Paul R. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida, 2005, p. 609.

[8] Spence-Jones, H. D. M. (Ed.). Ecclesiastes. The Pulpit Commentary. London: Funk & Wagnalls: 1909, p. 200.

[9] Josefo, Flávio. História dos Hebreus. 8ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 1047-1065.

[10] Walvoord, J. F.; Zuck, R. B. The Bible Knowledge Commentary: Old Testament. Colorado Springs: David C. Cook, 1983, p. 996.

[11] Garrett, D. A. Proverbs, Ecclesiastes, Song of Songs. The New American Commentary. Vol. 14. Nashville: Broadman & Holman Publishers, 1993, p. 327.

[12] Zuck, Roy. Teologia do Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 325.

[13] Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e desenvolvimento no Antigo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2006, p. 574.

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