Quarta, 24 de Maio de 2017
   
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Dois Bons Motivos de Gratidão

Pastoral

"Irmãos, não podemos deixar de dar graças a Deus por vocês, pois sua fé tem se desenvolvido cada vez mais, e seu amor uns pelos outros tem crescido" (2Ts 1.3).

Quando Paulo escreveu o versículo acima, a igreja de Tessalônica era praticamente recém-nascida. Sabe-se que Paulo e seus colegas foram forçados a abandoná-la justamente quando ela dava seus primeiros passos na fé (At 17.1-10). Sendo perseguidos, eles tiveram de fugir para longe. Pouco depois, o apóstolo, estando provavelmente em Atenas (1Ts 3.1), escreveu aos crentes de Tessalônica as duas cartas que hoje integram o NT. Trata-se, ao que se vê, de cartas muito positivas, pois foram escritas depois que Paulo recebeu boas notícias acerca do estado da igreja em Tessalônica (1Ts 3.6). Aliás, o próprio versículo em destaque mostra isso. Com efeito, no texto, Paulo dá graças a Deus porque os cristãos tessalonicenses estavam se desenvolvendo na fé e no amor de uns pelos outros.

É comum as igrejas evangélicas fazerem “cultos de gratidão”. Se elas completam mais um ano de existência, adquirem uma propriedade, compram uma nova bancada ou terminam a reforma em seu prédio, é frequente os líderes promoverem um evento voltado para o louvor a Deus pela nova conquista. Não creio que esse costume seja errado. Infelizmente, porém, nunca vi um culto especial de gratidão a Deus pelos motivos elencados por Paulo no versículo que encabeça este texto.

É uma pena! De fato, igrejas que estão crescendo na fé e no amor talvez pudessem se reunir para dar graças por isso. Se realizamos eventos de louvor por dádivas secundárias, por que não fazemos o mesmo quando recebemos bênçãos fundamentais? Bem, a razão disso talvez não seja o esquecimento. Pode ser, na verdade, que as igrejas não louvem a Deus pelo seu crescimento na fé e no amor porque esse crescimento não tem ocorrido! Se for esse o caso, então a coisa é séria e, pra tentar mudar esse quadro, é preciso, antes de tudo, detectar o modo certo de descobrir se uma igreja está experimentando o crescimento de que Paulo trata no texto destacado.

Em outras palavras: como podemos saber se a nossa igreja está crescendo na fé? Como podemos saber se a nossa igreja está crescendo no amor? Tenhamos cuidado! Não podemos inventar respostas aqui. Como sempre, são as Escrituras que devem nos nortear e, mais especificamente, as coisas que Paulo escreve em conexão com o versículo que está sendo discutido. Com efeito, se, na busca de respostas, deixarmos o versículo em pauta se relacionar com outras porções da carta a que ele pertence, sem dúvida estaremos no caminho certo. Então, vamos lá...

Em 2Tessalonicenses, o crescimento na fé está ligado à perseverança do cristão em sua fidelidade a Cristo, mesmo diante da oposição feroz. Essa conexão entre fé madura e firmeza imbatível aparece com bastante clareza quando observamos o que Paulo escreve logo depois que termina o versículo 1.3. Dando sequência ao seu pensamento, ele diz: “Por isso nos orgulhamos de falar às outras igrejas de Deus sobre sua perseverança e fidelidade em todas as perseguições e aflições que vocês têm sofrido (1.4). Temos, portanto, aqui, os elementos para responder à primeira pergunta. Como saber se a nossa igreja está crescendo na fé? Sabemos que a nossa igreja está crescendo na fé quando vemos os irmãos com quem congregamos mantendo o seu testemunho firme em face da zombaria, das provocações, dos ataques e dos apelos dos incrédulos. Se diante desse bombardeio, nosso irmãos vacilam, se rendem e caem, abandonando o fiel testemunho, então nossa igreja não está crescendo na fé e teremos poucos motivos para dar graças a Deus por ela, não importam quantas propriedades a igreja adquira, nem quantas vitórias materiais obtenha.

E quanto à segunda pergunta? Como sabemos se a nossa igreja está crescendo no amor? A resposta a essa pergunta não é difícil. Se levarmos em conta que o amor, segundo a visão paulina, é a disposição de promover o bem do outro, mesmo quando isso nos traz prejuízos, fica fácil avaliar se a igreja tem se desenvolvido nesse campo ou não. Contudo, a Segunda Epístola aos Tessalonicenses trata disso de forma apenas indireta, limitando-se talvez a mostrar o que parece ser uma prática de amor que revela crescimento nessa virtude.

Eu me refiro a algumas orientações que Paulo dá no capítulo 3. Entre outras coisas, ele afirma: “Mantenham-se afastados de todos os irmãos que vivem ociosamente e não seguem a tradição que receberam de nós... Observem quem se recusa a obedecer àquilo que lhes digo nesta carta. Afastem-se dele, para que se sinta envergonhado. Não o considerem como inimigo, mas advirtam-no como a um irmão” (vv.6,14-15).

A igreja que cresce em amor não paparica os que andam no erro como muitos crentes por aí acham que deve ser. Em vez disso, essa igreja se afasta deles, os isola mesmo (!), não sem antes adverti-los com afeto. Nela não há espaço para o amor fofinho, rosadinho e bobo que ensinam lá fora. Em vez disso, seu amor é vigoroso e produtivo, agindo com rigor na tentativa de afastar os outros da prática do mal. Se nossa igreja age assim, esse é um forte sinal de que ela tem crescido em amor.

E aí? Chegou a hora de responder. A igreja em que congregamos tem crescido na fé e no amor? Podemos dar graças a Deus por essas virtudes estarem se desenvolvendo nela?

Pr. Marcos Granconato

Non nobis, Domine


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