Domingo, 22 de Outubro de 2017
   
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A Igreja Precisa de Consolo e Firmeza

Pastoral

“Que o próprio Jesus Cristo, nosso Senhor, e Deus, nosso Pai, que nos amou e pela graça nos deu eterno conforto e maravilhosa esperança, os animem e os fortaleçam em tudo de bom que vocês fizerem e disserem” (2Ts 2.16-17).

O desejo/súplica de Paulo que foi transcrito acima brotou em sua mente logo depois de ele ter exortado os tessalonicenses a permanecer firmes e guardar o que lhes fora transmitido por palavra e por cartas (2.15). Isso não somente realça a preocupação do apóstolo com a recém-formada igreja de Tessalônica, mas também aponta para a necessidade que os crentes têm da ajuda divina para se manter enraizados no ensino apostólico, sem se deixar levar pelas fortes ondas do mundo ou pelas propostas das falsas religiões. Certamente, se o povo de Deus tivesse de contar apenas com suas próprias forças para enfrentar ataques tão constantes, sutis e poderosos, ninguém permaneceria de pé.

O Senhor, porém, guarda os que lhe pertencem (1Ts 5.23-24; Jd 24-25). Por isso, Paulo suplica que o Senhor Jesus Cristo e Deus, o Pai, atuem como fonte de ânimo e força para os seus leitores. Ao usar as palavras “Senhor” e “Deus”, o apóstolo indica que as pessoas divinas a quem ele recorre (o Pai e o Filho) são dignas da nossa reverência e sujeição. Indica também que elas têm todo poder e autoridade para conceder o que é pedido. Já ao usar o termo Pai, o escritor sagrado traz à lembrança dos destinatários da carta que Deus é bondoso e generoso, estando sempre disposto a atender súplicas como essa. Paulo reforça a ideia de que Deus é bondoso e generoso acrescentando em seguida que ele “nos amou” e “nos deu eterno conforto e maravilhosa esperança”.

Eis aí a forma correta como os crentes devem se aproximar de Deus quando oram. Ao expor suas súplicas diante do Deus trino, os cristãos precisam manter bem claras em suas mentes a realidade de que estão se aproximando daquele que é Senhor e Deus (isso produz reverência), dono de um poder sem limites (isso fortalece a fé) e dotado de amor e generosidade sem fim (isso aumenta a esperança).

A seguir, Paulo expõe seu desejo. Ele anela que os crentes de Tessalônica recebam ânimo e força. Em 1Tessalonicenses 3.2 é dito que Timóteo fora enviado aos crentes daquela cidade para fortalecê-los e animá-los. Agora o apóstolo ora para que esses objetivos sejam alcançados com a ajuda de Deus.

O verbo traduzido aqui como “animar” (parakaleo) significa, entre outras coisas, encorajar e consolar (o texto grego traz “consolem os vossos corações”, isto é, o centro das suas emoções e pensamentos). Os crentes de Tessalônica precisavam muito disso tudo, tendo em vista a oposição que sofriam (1.4-5). Porém, deve-se lembrar novamente que a presente súplica surgiu na mente de Paulo depois de ele ter exortado seus leitores a se apegar com firmeza ao que haviam recebido por meio de palavras e por cartas (2.15). Qual a ligação entre isso tudo?

O que ocorreu foi o seguinte: os tessalonicenses tinham ficado perturbados por causa de algumas epístolas que haviam circulado entre eles e que foram falsamente atribuídas a Paulo (2.2). Essas falsas epístolas diziam que o Dia do Senhor já havia chegado. Isso deixou aqueles crentes confusos e angustiados, pois o Dia do Senhor é um tempo de ira e eles não esperavam passar por algo tão terrível (1Ts 1.10; 4.16-18; 5.9). Por isso, em 2.15, Paulo ordenou que os crentes se apegassem ao que ele realmente havia ensinado (e não àquelas cartas falsas) e, em seguida, orou para que Deus reanimasse e consolasse seus corações, removendo a perturbação que as epístolas mentirosas haviam gerado. Paulo, ao final, também fez questão de assinar a sua carta de próprio punho, evitando, assim, novas fraudes (3.17).

Nota-se, desse modo, que as falsas doutrinas geram muita confusão e tristeza, fazendo com que o defensor da verdade tenha o dever não somente de combatê-las, mas também de ajudar os que foram perturbados pela mentira e orar pedindo a Deus que os console.

Finalmente, o apóstolo expressa seu desejo de que os crentes sejam fortalecidos. O verbo grego empregado aqui é sterizo, que abriga a ideia de fixar ou estabelecer firmemente. Paulo quer, assim, que seus leitores, com a ajuda de Deus, se tornem resolutos. Ele prossegue dizendo que almeja ver essa firmeza constante em toda obra e em toda palavra boa. Seu anelo e súplica, portanto, é que os santos da igreja de Tessalônica adotem um padrão consistente e fixo de comportamento que revele sempre o bem em tudo que fizerem e disserem. Num contexto de oposição tão grande, somente com a ajuda de Deus aqueles irmãos seriam capazes de controlar suas ações e palavras, mostrando bondade no convívio entre si e no trato com os ferozes inimigos ao redor.

As igrejas cristãs de hoje não vivem situações muito diferentes das vividas pelos antigos crentes de Tessalônica. De fato, também na atualidade o povo de Deus é perturbado por falsas doutrinas e hostilizado pelos inimigos de Cristo. Por isso, é nosso dever imitar Paulo no desejo/súplica analisado aqui, orando para que o sempre pequenino rebanho de Cristo prove real consolo no coração e se mantenha firme, sem esmorecer, nas práticas e nas palavras boas.

Pr. Marcos Granconato

Non nobis, Domine

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