Sábado, 16 de Dezembro de 2017
   
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Obrigado, Senhor, pela Igreja de... Corinto

Pastoral

"Sempre agradeço a meu Deus por vocês e pela graça que ele lhes tem dado em Cristo Jesus. Por meio dele Deus os enriqueceu em tudo, em toda capacidade de expressão e em todo entendimento. A mensagem a respeito de Cristo de fato se firmou em vocês, uma vez que nenhum dom espiritual lhes falta enquanto esperam ansiosamente pela volta de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele os manterá firmes até o fim, para que estejam livres de toda a culpa no dia de nosso Senhor Jesus Cristo. Deus é fiel, e ele os convidou a ter comunhão com seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor" (1Co 1.4-9).

Depois de ter visitado Tessalônica durante sua segunda viagem missionária, Paulo foi forçado a ir para Bereia. Sofrendo graves ameaças ali, o apóstolo foi levado pelos irmãos a Atenas (At 17.10-15) onde ele pregou o evangelho na sinagoga, na praça e no Areópago (At 17.16-34). Em seguida, Paulo se dirigiu a Corinto. Nessa cidade, ele ficou por vários meses (At 18.11,18) anunciando Jesus a todos, tanto judeus como gentios (At 18.4-6).

O resultado do ministério de Paulo em Corinto foi que, por volta do ano 51 AD, uma grande igreja nasceu naquela cidade (At 18.8). Essa igreja, porém, demorou alguns anos para amadurecer (1Co 3.1-2) e, por isso, é conhecida como uma das comunidades eclesiásticas mais problemáticas do Novo Testamento. De fato, mesmo sendo certo que Paulo tenha permanecido muito tempo ensinando aqueles crentes, fica evidente que, depois de sua partida, a igreja de Corinto passou a nutrir divisões, imoralidades, orgulho, demandas judiciais entre os irmãos, uso abusivo da liberdade cristã, desprezo pelos que tinham consciência mais sensível, envolvimento com cultos idólatras, ataques contra a legitimidade do apostolado de Paulo, postura imprópria por parte das mulheres, desordens no culto, desprezo pelos pobres, falta de amor, uso errado dos dons espirituais, ensinos heréticos que negavam a ressurreição... Enfim, na ausência de Paulo, a igreja de Corinto tornou-se o maior pesadelo de qualquer obreiro que ama a sã doutrina e o bom proceder cristão.

Todo esse horrível quadro encontrou no ambiente geral da cidade um terreno fértil para se instalar e se manter. Corinto se estendia aos pés de um enorme rochedo, precisamente no istmo que liga o Peloponeso ao resto da Grécia. Estando situada no itinerário de Roma para o oriente (uma importante rota comercial), a cidade era ponto de parada comum de comerciantes e navegantes de todo o mundo, tendo grande importância no contexto social e econômico e sendo marcada por notável prosperidade. Ademais, vale também ressaltar que Corinto era a capital da Acaia e a sede dos Jogos Istmicos, o que lhe conferia importância ainda maior.

Isso tudo, porém, tinha o seu preço. Como qualquer cidade cosmopolita, Corinto abrigava pessoas de várias culturas e gente de todo tipo. Com efeito, a imoralidade ali era chocante, de maneira que seus excessos causavam impressão até sobre os pagãos. O culto a Afrodite, por exemplo, realizado num templo construído na Acrocorinto, abrigava prostitutas cultuais que circulavam à tarde pela cidade na busca de "convidados para o culto". A adoração de Asclépio, o deus da cura, também era comum e as inúmeras esculturas de partes do corpo oferecidas a esse deus na expectativa de seu socorro testificavam acerca da grande quantidade de vítimas de doenças venéreas que havia naquela cidade.

Filosofias diversas, paganismo reinante (em Corinto havia também um grande templo dedicado a Apolo), maus costumes, pressões por parte da sinagoga (At 18.12-16), desregramentos de toda espécie... Tudo isso foi, aos poucos, atingindo a igreja que deixou-se levar pelo mundo à sua volta.

Em face desse quadro tão triste, Paulo decidiu advertir os crentes coríntios e trazê-los de volta à sensatez. Por isso, ele lhes escreveu uma carta, hoje desaparecida, que parece não ter surtido o efeito desejado (1Co 5.9). Estando, então, em Éfeso (1Co 16.8), após receber um relatório negativo acerca da igreja (1Co 1.11), Paulo escreveu a carta que recebeu o nome de 1Coríntios, admoestando aqueles crentes carnais e também respondendo a algumas perguntas que eles lhe haviam enviado (1Co 7.1,25; 8.1, 12.1; 16.1). Isso foi por volta do ano 55 AD, quando a igreja de Corinto contava com apenas três ou quatro anos de existência.

O que chama a atenção, contudo, logo no início dessa epístola, é o fato de Paulo dar graças a Deus pelos coríntios, apesar de estar lidando com a igreja mais problemática que ele conhecia — uma igreja que abrigava desvios horrendos tanto na área doutrinária quanto vivencial. Isso, evidentemente, revela uma perspectiva que ia além dos fatos percebidos por todos. Paulo certamente enxergava certos aspectos ligados à realidade da igreja de Corinto que ultrapassavam os defeitos tão evidentes e que o faziam agradecer a Deus por ela. Temos, pois, de detectar esses aspectos levados em conta pelo apóstolo, suspeitando que, se a igreja de Corinto os detinha, talvez a nossa igreja também os tenha, devendo também ser motivo de nossas ações de graças, apesar de suas falhas.

(Continua)

Pr. Marcos Granconato

Non nobis, Domine


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