Sábado, 18 de Novembro de 2017
   
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Ande Mais de Ônibus

Pastoral

Rotinas frenéticas, agendas lotadas, horários apertados e um dia de apenas 24 horas. Para alguém que vive em uma cidade grande, esse ritmo de vida certamente já se tornou comum e até esperado. Seja você um universitário que trabalha de manhã e estuda de noite, ou um profissional que está acostumado a ficar até mais tarde no escritório, todos nós sentimos os efeitos da cobrança pela produtividade: precisamos produzir cada vez mais em um espaço cada vez menor de tempo.

Diante desse cenário, como separar um tempo exclusivo para refletir nas verdades a respeito de Deus, da nossa santidade e da vida cristã como um todo? Conhecemos o texto de Efésios 5.16 sobre remir o tempo, mas como vivenciá-lo de modo prático? Afinal, chegamos em casa esgotados, tanto física como mentalmente. O pouco tempo “livre” que temos ao longo da semana é dedicado, muitas vezes, a tarefas domésticas ou à produção de trabalhos de faculdade. É verdade que precisamos meditar. Mas meditar não é produzir de acordo com a etiqueta profissional de nossos dias, e, como isso leva tempo algo que já concordamos ter pouco ―, acabamos por justificar nossa negligência em nossa rotina insana.

Jesus também tinha uma agenda apertada e o Evangelho de Marcos narra isso com precisão. Já no primeiro capítulo, Jesus cura pessoas, expulsa demônios, vai e vem de cidades e ainda encontra tempo para orar. Nossa! Isso sim é produtividade! Neste mesmo Evangelho, porém, percebemos um detalhe interessante sobre a administração de tempo de Cristo. Em Marcos 8.27 e 10.32, vemos Jesus se deslocando de uma cidade para outra algo que, certamente, levava muito tempo naquela época e, se você notar com atenção, verá que a caminhada entre as cidades não foi infrutífera, já que o mestre usou aquele tempo para conversar e ensinar seus discípulos. Nenhum tempo é inútil para o servo de Deus, mesmo o tempo em que estão indo de um lugar para outro.

Lembro-me de quando estava no colégio. Cursava o Ensino Médio pela manhã, no bairro do Carandiru, e fazia o curso Técnico no período da tarde, na região do Brás. O horário era justíssimo, especialmente por conta do deslocamento de ônibus que precisava fazer diariamente. Caso houvesse algum incidente no trajeto, não tinha para onde ir. No retorno para casa, a coisa não era muito diferente. O fato é que eu passava de duas a três horas por dia dentro de um ônibus e conheço pessoas que, até hoje, passam muito mais que isso. O que fazer neste tempo? Bem, lembro-me de ter realizado ótimas leituras, ouvido excelentes sermões e refletido sobre muitos assuntos. Aliás, ainda hoje brinco que muito do meu caráter foi forjado por andar de ônibus. Se serve de incentivo, descobri recentemente que o famoso autor britânico C. S. Lewis também teve muito do seu processo de conversão vivenciado em um ônibus da Inglaterra!

Na cidade grande, dificilmente você não usará ônibus ou metrô para se deslocar. A questão óbvia que se levanta é: como usamos o tempo que passamos confinados no transporte público? Abaixo, listo algumas sugestões simples, mas eficazes:

1. Ore e leia a Bíblia Aproveite esse período para “conversar” com Cristo, exatamente como ele fez nas passagens de Marcos mencionadas acima. Talvez isso não substitua um bom tempo devocional, mas certamente manterá sua mente em contato com a Palavra de Deus.

2. Leia bons livros Não precisam ser compêndios teológicos complexos. Leituras leves, com uma boa diagramação e conteúdo simples, mas profundo, enriquecerão muito a sua fé. 

3. Separe alguns bons sermões Caso fique enjoado com o balançar do ônibus, é excelente poder escutar sermões em seu smartphone. O aplicativo de nossa igreja permite fazer o download das mensagens disponíveis em nosso site, sabia? 

4. Reflita sobre sua fé Liste aquilo em que você crê e coloque suas dúvidas na ponta do lápis. Caso tenha acesso à Internet móvel, é uma boa oportunidade para pesquisar sobre tais assuntos também.

Por fim, não negligencie sua vida espiritual sob a desculpa da agenda lotada. Se não podemos adicionar horas ao nosso dia, certamente podemos utilizar espaços “mortos” em nossa agenda para vivificá-los com atividades realmente úteis para nosso crescimento espiritual. Andar mais de ônibus pode ser um bom recurso, inclusive para colocar em prática muito do que já aprendemos. Afinal, não é de hoje que sabemos que os “apertos” da vida nos transformam em servos melhores, não é verdade?

Níckolas Ramos

Seminarista da IBR

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