Sexta, 26 de Maio de 2017
   
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Infância Perdida?

Pastoral

O Estado do Mato Grosso do Sul está chocado com duas notícias que circularam nos jornais desta semana. A primeira delas é que uma menina de apenas dez anos de idade foi estuprada por dois garotos, um de quatorze anos e outro de onze. A segunda notícia, tão estranha e absurda como a primeira, é que uma jovem de 21 anos também foi estuprada. Apesar de, à primeira vista, parecer uma notícia comum para os nossos dias, o estuprador em questão não passa de um garoto de apenas doze anos.

O aumento do número de jovens atuando no tráfico de drogas, em assaltos a mão armada, em golpes, em sequestros e em outros crimes, tem feito a sociedade e os políticos discutirem a possibilidade da redução da maioridade penal para dezesseis anos. Mas, note bem, se isso acontecesse, nenhum desses três estupradores mirins seria atingido pela nova lei.

Diante de situação tão inesperada e, ao mesmo tempo, horrenda, a pergunta que muitos fazem é: “Como é que crianças tão jovens podem agir como os adultos mais malvados e pervertidos que existem?”. Apesar de a pergunta ser fruto de uma situação que não foi sonhada nem pelos piores pessimistas, as respostas para ela não são tão difíceis de descobrir.

Em primeiro lugar, a família deixou de ser defendida, tanto pelo poder público, que facilitou até o extremo a separação de famílias quantas vezes se desejar, como pela igreja, que deixou de ensinar valores familiares e passou a fazer “vista grossa” aos incontáveis casos de divórcio, algumas delas até mesmo alegando que o casamento é um acordo que, como um contrato de aluguel, pode ser quebrado a qualquer momento.

Por outro lado, a chamada “psicologia moderna”, contrariando tudo que ensinam as Escrituras, defende uma educação em que a criança não é repreendida pelos seus erros nem ouve “não” dos pais. Seguindo esses princípios, as escolas pararam de exigir “enfaticamente” um padrão de comportamento respeitoso em relação aos professores. Assim, qualquer noção de respeito à autoridade passa longe da mente dos pequeninos.

Completando esse quadro feio, a televisão não tem qualquer critério, fora o lucro, para exibir programas que serão vistos por crianças. Assim, novelas têm por heróis os arruaceiros e adúlteros. Os filmes são cheios de violência e sensualidade, para não dizer imoralidade. Alguns desenhos têm como único tema a violência, enquanto outros trazem como heróis alguns tipos que representam perfeitamente a figura do “vagabundo”, do “mentiroso” e do “enganador”. Até mesmo em jogos de videogame o ensino é destrutivo, pois há jogos em que a criança aumenta seus pontos se mata, rouba ou estupra alguém.

Essa situação é tão ampla que, como igreja, pouco conseguimos fazer de efetivo no âmbito da sociedade. Mas, e entre nós? E em relação às nossas crianças e jovens? É possível fazer algo? Sim.

Devemos, a princípio, estar atentos à tendência da juventude cristã de priorizar divertimento em detrimento do aprendizado. Para muitos, programações valem mais que estudos bíblicos; estruturas físicas modernas valem mais que comunhão entre os irmãos; e a satisfação dos interesses pessoais vale mais que o arrependimento dos pecados e um novo caminho dirigido por Deus.

A fim de evitar tais coisas, a igreja deve, em primeiro lugar, aceitar que as Escrituras são o ensino perene, vindo de Deus, para guiar sua igreja. Depois, aplicar seus ensinos mostrando à criança como andar (Dt. 6.6,7; Pv 22.6; Ef 6.4), participar dos cultos (2Cr 20.13; Ne 12.43), respeitar e obedecer (Ef 6.1-3). Em terceiro lugar, mas não menos importante, corrigir os erros das crianças e jovens com amor, mas, também, com firmeza e seriedade (Hb 12.9).

Se a igreja e os pais crentes se omitirem nessa santa tarefa e fingirem que ensinam seus filhos, enquanto eles fingem que aprendem, estamos cada vez mais perto de ler tristes notícias nos jornais a respeito, não dos filhos alheios, mas dos nossos.

Pr. Thomas Tronco
Soli Deo gloria

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