Terça, 28 de Março de 2017
   
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Tempo de Campanha

Pastoral

Como estamos em plena campanha eleitoral, nessa semana ouvi mais uma vez a piada sobre um morto que teve de escolher se queria passar a eternidade no céu ou no inferno. Depois de observar a paz e a beleza do céu, ele é levado a conhecer o inferno e, para sua surpresa, tratava-se de um lugar muito interessante e agitado, cheio de pessoas felizes. Ao ser interrogado, escolheu o inferno e foi enviado para lá. Ao chegar, o lugar não era mais interessante, mas sujo, feio e cheio de horrores. Então, ele, indignado, pergunta por que o lugar estava diferente de antes. Alguém lhe responde que quando ele veio pela primeira vez, eles estavam “em campanha”.

Como eu já conhecia a piada, enquanto a ouvia fiquei meditando sobre como o mundo age desse modo em relação aos cristãos quando quer enganá-los. Conheci muitos rapazes incrédulos que, para conquistar a moça crente e namorá-la, passaram a frequentar a igreja, a cantar no coro, distribuir boletins na recepção e a chamar os outros de “irmão”. Conheci moças também que, para conquistar o rapaz, compraram uma Bíblia, passaram a se vestir com mais recato e dizer que seu sonho era “servir o Senhor”.

Em quase todos esses casos, a maioria dessas qualidades forjadas desapareceu quando o namoro começou. Por quê? Porque antes eles estavam “em campanha”. Precisavam convencer as moças e rapazes crentes, além das suas famílias, de que eram boas pessoas, gente que se interessa por Deus e seu ensino. Perdi a conta de quantos desses jovens “em campanha” acabaram por engravidar ou tirar da igreja seus namorados. Isso porque, passada a campanha, pode-se voltar a viver de conformidade com seu próprio caráter.

Mas a culpa não é apenas dos incrédulos que querem namorar crentes. É também dos crentes que têm curiosidade e atração pelo mundo. Contrariando os alertas bíblicos e pastorais, muitos crentes se aventuram a passear no meio do pecado, confiantes de que são capazes de discernir as armadilhas de Satanás e dominar seus impulsos carnais. Lembro-me de duas personagens bíblicas que agiram assim: Sansão e Diná. Sansão foi à cidade de Timna e “viu uma filha dos filisteus” (Jz 14.1-3). Casou-se com ela e, na festa do seu casamento, foi enganado pela esposa (Jz 14). Diná, filha de Jacó, “saiu para ver as filhas da terra” e foi estuprada por um rapaz que a cobiçou (Gn 34.1,2). O resultado foi uma matança promovida por dois irmãos de Diná para vingar sua honra.

Para evitar esses desatinos, Deus deu à sua Igreja orientações claras sobre relacionamentos: o crente não deve se unir a um incrédulo (2Co 6.14,15). Para tanto, a igreja deve agir como protetora, ensinando o correto e disciplinando o pecado. Em lugar disso, algumas igrejas agem como o terceiro agente do mal ao aprovarem namoros mistos ou fazerem vistas grossas para ele. Já ouvi de pastores que o namoro misto não é pecado, mas apenas o casamento misto – ignorando que a função do namoro é justamente levar duas pessoas à união definitiva –, assim como já ouvi dizerem que o namoro do crente com o incrédulo não é pecado, mas “falta de sabedoria”. Enquanto esses discursos antibíblicos são ditos de púlpito, mais jovens enfrentam uma gravidez indesejada e o afastamento da igreja.

Em lugar disso tudo, observando o ensino do Senhor por meio da sua Palavra, ensinemos aos jovens que o namoro é algo sério, visando ao matrimônio, que:

1) Deve ser realizado com alguém que também creia e tema o Senhor Jesus (1Co 10.21);
2) Deve ser fruto de oração e no tempo determinado por Deus (Ec 3.1,5; Fp 4.6);
3) Deve estar em concordância com a determinação dos pais (Ef 6.1-3), orientação dos pastores (Hb 13.17) e seguindo os ensinos da Palavra de Deus (Lc 6.46);
4) Deve ser santo (1Pe 1.16) e deve glorificar o nosso Senhor (1Co 6.20).

Portanto, cuidado com as “campanhas” dos inimigos do Mestre. A exemplo das campanhas eleitorais, elas também apresentam a nós os seus “santinhos”.

Pr. Thomas Tronco

Soli Deo gloria

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