Domingo, 18 de Novembro de 2018
   
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Epitáfio

Pastoral

“Vendo isso, Eliseu gritou: meu pai, meu pai! O carro de Israel e seus cavaleiros!” (2Reis 2.12).

Epitáfios são inscrições feitas nas lápides de cemitérios que, geralmente, carregam alguma característica marcante da pessoa que ali foi sepultada. Às vezes, traz um breve elogio ao falecido. Curiosamente, o versículo destacado acima funciona como uma “homenagem” semelhante a um epitáfio, mas direcionada a alguém que, diferente de todos, não experimentou a morte.

Elias foi arrebatado ao céu pelo Senhor (2Rs 2.11), assim como Enoque (Gn 5.24). Enquanto assistia àquela cena sem igual, Eliseu, sucessor do profeta, emitiu um breve “epitáfio” a seu respeito, resumindo muito bem o ministério de Elias e o impacto de seu testemunho perante a nação apóstata de Israel.

Mais que uma referência à carruagem que separou Elias de Eliseu, parece que a expressão “carro de Israel e seus cavaleiros” aponta para a função quase militar que o profeta desempenhou enquanto ainda estava aqui. Suas exortações a Acabe, sua fidelidade a Deus diante da idolatria do povo, sua postura para com os profetas de Baal e seu papel na seca de três anos certamente demonstraram como, por meio de Elias, Deus expressava seu poder, sua soberania e sua ira contra a apostasia da nação. Em outras palavras, Elias era praticamente uma “proteção” para Israel no campo espiritual, contrastando diretamente com o abandono do Senhor e a adoração a Baal.

De maneira semelhante, nós, os crentes, somos chamados a desempenhar uma função parecida com a de Elias. No Novo Testamento, a Igreja é chamada de “coluna e alicerce da verdade” (1Tm 3.15); Judas apela aos crentes que lutem “pela fé entregue aos santos de uma vez por todas” (Jd 3); e Paulo alerta os pastores de Éfeso a respeito da necessidade de proteger a igreja (At 20.28-31). Não por acaso, o mesmo apóstolo compara o cristão a um soldado (2Tm 2.3-4).

Ainda que não sejamos profetas, as Escrituras deixam claro que temos a mesma responsabilidade de testemunhar diante de um povo cada vez mais distante de Deus. Afinal, diante das obras repugnantes das trevas, resplandecem os feitos dos filhos de Deus (Mt 5.13-16; Jo 3.19-21). Contrastando com o crescente abandono do Senhor em todas as áreas (Rm 1.18-32), destacam-se o zelo e a fidelidade dos crentes, exatamente como aconteceu com Elias (1Rs 19.10,14).

Na prática, isso significa que precisamos de crentes zelosos pela Sã Doutrina atacando o erro e protegendo a igreja da mentira em suas mais diversas formas. Também quer dizer que temos necessidade de homens corajosos o suficiente para resgatar o conceito bíblico de masculinidade e colocá-lo à vista da sociedade. É imperativo que mulheres virtuosas, mesmo diante da pressão secular, valorizem o papel de esposa, mãe e dona de casa. É preciso, ainda, que profissionais capacitados em todas as áreas do conhecimento demonstrem o senhorio de Cristo em cada milímetro quadrado da criação. Enfim, necessitamos dos “carros de Israel e seus cavaleiros” prontos para a batalha pela verdade.

Eliseu, sucessor do grande profeta Elias, compreendeu essa responsabilidade. Quando estava à beira da morte, recebeu o mesmo “epitáfio” que seu mestre (2Rs 13.14). Essa honra, porém, não supera a que os servos de Cristo poderão receber à entrada da eternidade, ouvindo da boca do próprio Senhor: “Servo bom e fiel” (Mt 25.21).

Que privilégio saber que nosso trabalho não se finda numa lápide fria e que qualquer “epitáfio” que tenhamos aqui será, na verdade, um ato constante de louvor a Deus pelos séculos dos séculos!

Níckolas Ramos

Seminarista da IBR

 

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