Quinta, 16 de Agosto de 2018
   
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Você já Aprendeu a Obedecer?

Pastoral

Diz-se de Henrique II da Baviera (973-1024), imperador do Santo Império Romano Germânico, que ele era um homem extremamente religioso e honesto. Foi um bom rei que inspirou em muitos uma vida exemplar, apoiou a divulgação da fé cristã e trabalhou pela moralização da igreja. Dizem que ele também foi um instrumento na conversão de seu cunhado, o rei Estêvão, da Hungria. A igreja católica até o venera como um santo, tal o impacto que causou. Um fato curioso é que, certo dia, enfadado da vida na corte, ele resolveu entrar para um mosteiro. Quando se apresentou ao abade, este prontamente lhe comunicou as regras da ordem religiosa. O rei, após ouvir tudo com atenção, demonstrou grande entusiasmo em se submeter àquelas regras a fim de manter uma plena consagração. Diante disso, o abade insistiu que a “obediência” era o primeiro requisito da santidade, ao que Henrique prometeu seguir à risca suas orientações. Então, o abade disse: “Volte para o seu trono e cumpra seu dever no lugar que Deus te colocou”. O rei assumiu novamente seu trono e até sua morte foi um bom rei. O povo dizia: “O rei Henrique aprendeu a governar por ter aprendido a obedecer”.

Ao ler essa história, imediatamente fiz uma comparação com certos serviços prestados a Deus hoje em dia. Diferente da disposição do imperador de obedecer, o que muito se vê é uma busca por cumprir desejos pessoais. O parâmetro deixou de ser Deus e suas palavras para ser o coração e o gosto dos homens. Cada um quer fazer do seu jeito aquilo que lhe agrada. E em suas mentes, ninguém — nem a Bíblia — tem o direito de dizer que o que fazem não está de acordo com a vontade de Deus ou que é danoso à igreja e à expansão do evangelho. É uma luta por “direitos” sem que se assumam quaisquer “deveres”.

Paulo lidou com uma situação parecida quando avaliou e corrigiu o que vinha acontecendo nos cultos da igreja de Corinto. Em primeiro lugar, ele deu ênfase à pregação da Palavra: “Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis” (1Co 14.1). Essa parece ser a preocupação primordial do apóstolo. Ele entendia que sem os ensinos que vêm de Deus a igreja se desvia e segue doutrinas e práticas estranhas ao verdadeiro cristianismo, difamando e envergonhando o nome do Senhor. A utilidade da pregação em relação à igreja de Cristo é descrita pelo apóstolo quando ele explica que “o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando” (1Co 14.3).

Paulo também apontou o objetivo de edificar da igreja: “Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja” (1Co 14.12). Com isso, ele elimina todas as atividades e impulsos inconvenientes que existiam sob a desculpa de que eram expressões “espirituais”. A espiritualidade está ligada à edificação pessoal e dos irmãos. Por isso, não adiantava ter na igreja pessoas felizes por falar em outras línguas enquanto outras não eram edificadas: “E, se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que dizes; porque tu, de fato, dás bem as graças, mas o outro não é edificado” (1Co 14.16,17). A regra geral é “seja tudo feito para edificação” (1Co 14.26c).

O apóstolo não deixa de instruir os irmãos a promover um culto ordeiro e criterioso. Quanto à ordem, os membros da igreja não podiam fazer o que quisessem, pois essa desordem traria confusão: “Se, pois, toda a igreja se reunir no mesmo lugar e todos se puserem a falar em outras línguas, no caso de entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão, porventura, que estais loucos?” (1Co 14.23). Por isso, deveria haver limites a serem respeitados para que o culto fosse centrado em Cristo e não nos homens. Se algo não fosse assim, devia ser suprimido: “No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou, quando muito, três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete. Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus” (1Co 14.27,28). Quanto ao critério, os irmãos tinham de avaliar o que era feito e dito, tendo como parâmetro as Escrituras, e não deviam achar que no culto “vale tudo”: “Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem (1Co 14.29). Desordem e confusão não devem ter lugar na igreja “porque Deus não é de confusão, e sim de paz” (1Co 14.33a).

É claro que essas palavras — e outras — do apóstolo Paulo caíram como uma bomba no meio da igreja de Corinto. Ela não se achava necessitada de conselhos e sim de mais oportunidades de efetivar o que fazia de melhor: exibir seus dons espirituais. Entretanto, Paulo, a despeito dos dons daqueles irmãos, os chama de “carnais” (1Co 3.1,2) e ensina que, para alguém ser realmente espiritual, o caminho era a obediência ao ensino bíblico: “Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo. E, se alguém o ignorar, será ignorado” (1Co 14.37,38). E reconhecer que as Escrituras são ordens do Senhor significa se submeter às suas orientações. Todas elas.

Que diferente seria a igreja no mundo se, em geral, ela se submetesse a Deus e suas palavras em vez de buscar o agrado pessoal. Boa parte do que vemos hoje em dia não existiria. Por outro lado, um grupo coeso de crentes causaria um impacto sem precedentes por toda parte. Eles brilhariam a luz de Cristo e o fariam pela mesma razão que Henrique da Baviera foi um bom rei: “Por ter aprendido a obedecer”.

Pr. Thomas Tronco

 

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