Quarta, 20 de Junho de 2018
   
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Salgadinho Não Alimenta

Pastoral

“Leia a Bíblia e faça oração, faça oração, faça oração. Leia a Bíblia e faça oração se quiser crescer.” Essa estrofe faz parte de um corinho antigo que as crianças aprendem na Escola Bíblica Dominical. Em linguagem infantil, os pequenos são ensinados que a devocional, executada por meio da leitura bíblica e um momento de oração, é sempre um imprescindível meio de alimentação do cristão.

Entretanto, com o advento da Internet e, posteriormente, das redes sociais, um novo fenômeno tem surgido no meio evangélico. A tecnologia, por assim dizer, produziu um novo “alimento” espiritual com diversos sabores para os diferentes paladares ao gosto do cliente, digo, do crente moderno. As opções são inúmeras e se dividem entre frases de efeito, testemunhos, pequenos textos devocionais, artigos acadêmicos, livros de aconselhamento — tudo com o devido respaldo bíblico e teor teológico.

Todo esse conteúdo, criado diariamente por um descomedido número de pessoas, tem relevância e utilidade na vida diária do cristão. Contudo, o que se tem visto com frequência no meio evangélico são crentes que trocaram o precioso tempo devocional por horas de navegação na Internet. Ali experimentam, de vez em quando, um petisco teológico e se declaram satisfeitas com essa pequena degustação da Palavra de Deus.

Não há dúvidas acerca do bom proveito que um cristão pode fazer desses recursos, mas afirmar que isso é alimento espiritual e que pode substituir a devocional diária bíblica é comparar a capacidade nutritiva de um virado à paulista a um saco de salgadinho Fandangos. De maneira nenhuma o crente que quer crescer pode viver exclusivamente à base de salgadinhos de “isopor”.

As mesmas crianças que aprenderam a canção acima são ensinadas desde cedo que a devocional é o momento em que ouvimos a voz de Deus (leitura da Bíblia) e falamos com ele (oração), e essa receita compõe o prato principal, responsável pela nutrição do crente. Tal como uma criança que não cresce sem a alimentação correta e certamente desenvolve doenças, o cristão que vive tangenciando o prato principal e mantém uma dieta baseada em salgadinhos não cresce espiritualmente e incorre em diversos pecados.

O salmista conclama a satisfação que a Palavra de Deus confere ao cristão saudável (Sl 1.2) e, da mesma forma, aponta para a maturidade e crescimento que ela provê (Sl 119.98-100). O próprio Senhor Jesus, ao citar Deuteronômio 8.3, ressaltou a indispensabilidade da Palavra de Deus na dieta do crente (Mt 4.4). O apóstolo Paulo arremata asseverando a utilidade da Escritura na completa nutrição e capacitação do homem de Deus (2Tm 3.16).

A Bíblia é farta ao apontar o indispensável papel da oração no desenvolvimento espiritual do crente. Essa verdade é averiguada na vida de Daniel, que crescia no relacionamento com Deus por meio da oração (Dn 6.10-11). Além disso, os escritores do Novo Testamento oferecem preceitos diretos acerca da necessidade de conservar uma vida de oração (Rm 12.12; Cl 4.2, 12; Fp 4.6; 1Pe 4.7).

A história bíblica também relata a destruição que o abandono da lei do Senhor causa ao povo de Deus (Os 4.6). Fica evidente, portanto, que o crente que despreza o hábito da alimentação diária por meio da devocional, trocando-a por algumas migalhas encontradas na Internet ou nas redes sociais, está fatalmente fadado à desnutrição espiritual.

A música que inicia essa reflexão tem mais uma estrofe: “Quem não ora e a Bíblia não lê, a Bíblia não lê, a Bíblia não lê. Quem não ora e a Bíblia não lê diminuirá”. O enfraquecimento é o destino certo daqueles que trocaram a nutrição saudável, por meio da leitura da Palavra e da oração, pelo pacote de Cheetos das redes sociais, Internet, livros e textos devocionais. Essas coisas podem servir de lanche no meio da tarde, mas todos sabem que salgadinho não alimenta.

Isaac A. Pereira

IBR Pinheiros

 

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