Quinta, 13 de Dezembro de 2018
   
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Você Conhece Mesmo a Palavra de Deus?

Pastoral

“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hb 4.12).

O editor de um pequeno jornal semanal no Ocidente dos Estados Unidos estava, certa vez, com dificuldade de preencher todas as colunas do seu periódico. Faltava material para completar uma página. Então, ele orientou seu redator a publicar o trecho da Bíblia conhecido como os Dez Mandamentos, sem que fosse feito qualquer comentário editorial. Isso resolveu o problema daquela página. Porém, três dias depois, o jornal recebeu uma carta que dizia: “Por favor, cancele minha assinatura. Vocês estão ficando muito pessoais”.

Duas coisas são dignas de nota nesse episódio. A primeira é a completa ignorância desse assinante a respeito dos Dez Mandamentos — até pessoas que nunca os leram normalmente conseguem reconhecer algum trecho deles. A segunda é que a impressão que o leitor teve de que o texto falava pessoalmente com ele e tocava pontos sensíveis de sua vida era totalmente correta. A Palavra de Deus é, de fato, pessoal, pois fala a nós como indivíduos e aprova ou condena nossos atos, pensamentos e intenções (como ensina o versículo acima).

Um dos grandes problemas da igreja moderna tem sido o abandono das Escrituras para dar lugar às filosofias do mundo e aos desejos pessoais para servirem como guias da vida “cristã”. Entretanto, esse não é o único problema que é possível constatar nas igrejas. No outro extremo está a adoção das Escrituras como “regra de fé”, deixando-a de lado quando ela também deseja ser “regra de prática”. Em outras palavras, trata-se do apego ao ensino bíblico como matéria teológica e intelectual sem que esse ensino seja algo pessoal para o estudante. O resultado é que quem adota essa postura conhece teologia e sabe defender pontos importantes da fé, mas sua vida não é afetada por esse conhecimento, nem é transformada pela santificação da Palavra. Não é mais que um conhecimento “impessoal” que parece não ter nada a dizer para quem tanto fala sobre ele.

Os danos causados por esse problema são tão grandes e graves quanto aqueles causados pelo abandono da Bíblia. É por isso que vemos as mesmas bocas falando tanto das grandezas de Deus como de imoralidades mundanas, e ouvimos dos mesmos lábios conceitos teológicos, mas também palavrões e malícias infames. É triste que as mesmas mãos que folheiam bons livros e escrevem belos textos também se sujem na imundice do mundo e nos desvios do erro.

A verdade é que o crente não pode ter um relacionamento impessoal com a Palavra de Deus. Os homens santos, descritos na Bíblia, relacionaram-se com os ensinos divinos de modo bem diferente. Em primeiro lugar, eles adotaram a Palavra de Deus como fonte de alimento para o espírito. Pedro, em sua primeira carta, terminou o capítulo inicial falando sobre ela: “A palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada” (1Pe 1.25). Em seguida, ele explica como seus ouvintes deviam agir diante dela, dizendo-lhes: “Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação” (1Pe 2.2).

É muito vívida a comparação que Pedro faz entre a importância do ensino do Senhor para a vida do crente e o alimento materno para o corpo de um bebê. O recém-nascido precisa tanto desse leite que chora e usa todas as suas forças, ainda que poucas, para obtê-lo. Para ele, mamar não é um momento de diversão e entretenimento. Não é um hobby. Sorver o leite é uma necessidade do bebê por causa da grande fome que tem dele. A Palavra de Deus deve ser buscada do mesmo modo. O profeta Jeremias fez uso da mesma figura a fim de mostrar como os ensinos do Senhor foram recebidos de modo pessoal e transformador por ele: “Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração” (Jr 15.16a).

Em segundo lugar, os escritores bíblicos também reconheceram que a Palavra de Deus é fonte de santidade para a vida. Por essa razão, Paulo disse que “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra” (Ef 5.25b-26). Essa santificação, que é uma separação que Deus faz tirando-nos do mundo e reservando-nos para seu serviço, começa na salvação por meio da fé, mas se estende por toda nossa vida, evidenciando os resultados práticos de termos sido justificados e transformados por Jesus Cristo. Por isso mesmo, o próprio Salvador orou por sua igreja, pedindo a Deus: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17).

A conclusão é que não existe teólogo de verdade que conheça a Bíblia, mas que desconheça seus efeitos práticos pessoais. Quem busca conhecimento bíblico normalmente deseja honrar o Senhor e ser-lhe um bom servo. Talvez deseje ser como Jó, de quem o próprio Deus disse: “Ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal” (Jó 1.8b). Se desejam isso, certamente têm um excelente objetivo. Mas, para isso, devem também ter a mesma atitude de Jó, que conhecia bem as palavras do Senhor — “do mandamento de seus lábios nunca me apartei” (Jó 23.12a) —, mas que também as acolhia de modo bastante pessoal em sua vida — “escondi no meu íntimo as palavras da sua boca” (Jó 23.12b). A Palavra de Deus não pode ser apenas um hobby que nos entretém e diverte. Ela tem de ser nossa fonte de alimento espiritual e de santidade vivencial.

Pr. Thomas Tronco

 

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