Quarta, 20 de Fevereiro de 2019
   
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Um Jardim à Espera de Noé

Pastoral

Uma das dúvidas que normalmente surgem quando lemos o relato bíblico do dilúvio é como a biodiversidade de plantas e árvores, que vemos hoje, sobreviveu a uma inundação universal que perdurou por vários meses. De acordo com o relato de Gênesis, é importante lembrar que a Terra não foi completamente coberta durante todo o ano do dilúvio, mas por, no máximo, 278 dias (cerca de nove meses e uma semana), que pode ser identificado pelo período definido entre a abertura das fontes do grande abismo e das comportas do céu, e a indicação da vida vegetal brotando quando a pomba solta por Noé retornou com uma folha de oliveira (Gn 8.10,11). Essa pequenina folha de oliveira — uma linda mensagem de esperança —, chegou a Noé 128 dias depois que a arca descansou em uma das montanhas de Ararate, sendo tempo suficiente para que as plantas começassem a criar raízes e crescer.

Assim, em vez de sementes ou plantas que precisem sobreviver por um ano inteiro debaixo d’água, elas teriam de suportar a água por um período de nove meses ou até menos — talvez cerca de seis meses —, pois estima-se que demorou algumas semanas para que todas as porções de terra, incluindo as altas colinas e montanhas pré-diluvianas do planeta, fossem inteiramente cobertas pelas águas.

Outra premissa a ser considerada é a salinidade do oceano há 4.400 anos que, possivelmente, não era tão alta como hoje. Como aponta o criacionista Dr. Russel Humphrey, todos os anos, rios e outras fontes despejam, aproximadamente, 450 milhões de toneladas de sódio no oceano e mais da metade acaba acumulando nos oceanos. Logo, o raciocínio uniformitarianista não concilia bem os cálculos desse aumento de salinidade com a suposta idade do oceano que ele afirma, pois, se os oceanos não tivessem sódio algum em seu ponto de partida, 3 bilhões de anos atrás, eles não levariam mais que 42 milhões de anos para alcançar a salinidade dos dias de hoje.

Outra premissa razoável é que as espécies que temos hoje não são as mesmas da época do dilúvio devido à especiação, mutações e deterioração genética acumuladas por mais de 5 mil anos. Logo, especula-se que espécies que eram mais robustas geneticamente tiveram maior capacidade de suportar condições extremas durante a imersão ou flutuação. Não podemos, também, esquecer que nos dias de hoje vemos espécies de árvores e plantas que prosperam em condições de inundação ou mesmo em água salgada, como nos mangues ao longo da costa brasileira, sem mencionar as plantas e árvores que florescem em nossos pântanos.

Outras hipóteses também foram relatadas e, curiosamente, Charles Darwin, documentou experimentos que ajudam a entender como as plantas foram preservadas durante o dilúvio, embora não tenha sido essa a sua intenção original. Tanto Darwin como George F. Howe, um botânico, realizaram experimentos para determinar se as sementes poderiam sobreviver sendo encharcadas em água salgada e como poderiam ser transportadas por longas distâncias pela água. Howe, ainda na década de 1960, descobriu que mesmo após 140 dias de imersão, as sementes de plantas selvagens ainda eram viáveis ​​o suficiente para germinar.

Outra maneira de as plantas sobreviverem é terem sido levadas para a Arca como alimento para Noé, sua família e os animais (Gn 6.21). Algumas dessas plantas poderiam ter sido de cereais, as quais, salienta Howe, seriam incapazes de sobreviver por muito tempo imersas na água. Possivelmente, alguns desses cereais foram replantados por Noé depois do dilúvio, pois a agricultura precisava ser reiniciada para uma nova era — vale lembrar, por exemplo, que ele plantou uma vinha (Gn 9.20) quando deixou a arca. Ademais, depois de deixarem a arca, qualquer semente que os animais tivessem ingerido durante seus últimos dias na embarcação poderia ter caído ao chão, ou ter sido expelido nos excrementos dos bichos, fornecendo alternativas mais que plausíveis para a germinação.

Muitas plantas e sementes podem ter sobrevivido em esteiras de vegetação com detritos flutuantes. A vegetação flutuante poderia conter muitas árvores desenraizadas. Do mesmo modo, outras plantas que possuem brotamento assexuado podem ter sobrevivido e entrado em contato com o solo quando as águas da enchente retrocederam.

Não podemos ignorar que muitos animais herbívoros morreram no dilúvio e suas carcaças podem ter flutuado na superfície das águas, segurando e protegendo as sementes em seus corpos. Curiosamente, Darwin, em seu livro A Origem das Espécies, no capítulo XII, na subseção “Meios de Dispersão”, fez uma observação astuta: “Mais uma vez, posso mostrar que as carcaças de pássaros, quando flutuando no mar, às vezes escapam de ser imediatamente devoradas: e muitos tipos de sementes nas plantações de aves flutuantes mantêm sua vitalidade (...) algumas retiradas da colheita de um pombo, que flutuara em água do mar artificial durante 30 dias, para minha surpresa quase todas germinaram”.

Certamente, Noé creu que Deus não o abandonaria e que suas sementes, tanto as que estavam dentro da arca como as que ficaram nas águas, nas mais diversas circunstâncias, germinariam quando as águas retrocedessem trazendo o sustento de que sua família e os animais precisavam.

Hoje, nossa esperança vai muito além do que a expectativa de germinação das sementes corruptíveis de Noé. Louvado seja Deus, pois vivemos a era da esperança de outra semente, a incorruptível, que nem grandes oceanos, nem tampouco o tempo podem destruir:

“Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro; Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” (1Pedro 1.22-23).

Ev. Leandro Boer

 

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