Quinta, 21 de Março de 2019
   
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Fábrica de Ídolos

Pastoral

“Filhinhos, guardem-se dos ídolos” (1João 5.21).

Foi João Calvino quem disse que o “coração humano é uma fábrica de ídolos”. De fato, o pecado do homem faz com que a boa criação de Deus seja colocada no lugar que pertence exclusivamente ao Criador (Rm 1.25). Ao longo da história, o problema do ser humano continua o mesmo: a adoração de bezerros de ouro (Êx 32) levantados em seu próprio coração, muito antes de serem erguidos em pedra, madeira ou aço (Ez 14.3).

Os altares da juventude dessa geração, por exemplo, estão tomados por videogames e jogos online. A Organização Mundial da Saúde, em resposta a isso, já reconhece o vício por esse tipo de entretenimento como uma espécie de transtorno mental. O mesmo parâmetro parece ser aplicado aos “viciados em trabalho”, conhecidos como workaholics. A gula também não escapa da lista, muitas vezes se escondendo por trás de títulos como “compulsão alimentar”. Em suma, aquilo que a Bíblia chama de idolatria, a sociedade chama de doença. 

Entretanto, assim como os crentes são transformados dia após dia na imagem de Cristo (2Co 3.18), um coração idólatra se torna semelhante ao ídolo venerado (2Rs 17.15). Aqueles que colocam a riqueza, a carreira profissional ou o entretenimento no altar do seu coração não devem esperar algo diferente de avareza, insaciedade, pragmatismo e relacionamentos superficiais. O homem se torna semelhante àquilo que adora.

A exortação do apóstolo João que abre este texto, portanto, não poderia ser mais atual. Como, porém, um crente pode identificar um ídolo em sua vida? Abaixo, seguem alguns princípios que podem auxiliá-lo nesse autoexame.

1. Vigie tudo que afeta profundamente a sua personalidade. O ídolo do profeta Jonas era seu nacionalismo, já que, para ele, apenas Israel poderia desfrutar do cuidado divino. Não por acaso, quando Deus ofertou salvação a Nínive, a ira de Jonas se acendeu ao ponto de ele desejar a morte (Jn 3.10-4.11). Com esse exemplo em mente, há algo em seu cotidiano que, quando retirado ou ameaçado, desperta profundas mudanças em seu comportamento e personalidade? Ira, angústia ou indisposição podem ser alguns sintomas de um ídolo sob ameaça.

2. Esteja atento às suas expectativas. Não é pecado sonhar e planejar. Porém, quão centrais para a sua felicidade são os planos que você traça? Em Gênesis 30.1-8, Raquel expressa suas expectativas de ser mãe dizendo ao seu marido Jacó: “Dá-me filhos ou morrerei”. Na sequência, busca dar um “jeitinho” no problema e usa uma serva para prover um descendente à família. De modo análogo, existe algo sem o qual você não conseguiria ser realizado: faculdade, profissão, relacionamento ou bens materiais? Para você, “os fins justificam os meios”?

3. Avalie o que ocupa seus pensamentos. Em Romanos 13.14, Paulo exorta os crentes a não viver “premeditando como satisfazer os desejos da carne”. Com isso em vista, o que mais ocupa sua mente ao longo do dia? Existe algum vício que você não vê a hora de sair do trabalho para alimentá-lo? Há algo que o encoraja a se comportar como um verdadeiro “estrategista do mal”? Você usa sua criatividade para esconder seu comportamento pecaminoso? Lembre-se das palavras de Paulo em Filipenses 4.8 e Colossenses 3.1-3.

4. Seja sábio com seus recursos materiais. O próprio Jesus alertou a respeito desse perigo em Mateus 6.19-24, quando concluiu que “onde estiver teu tesouro, aí estará também teu coração”. É evidente que gastamos nossos recursos com maior facilidade naquilo que ocupa o nosso coração. Assim, existem áreas de consumo em que você precisa exercer constantemente o domínio próprio? Para você, ofertar à igreja é algo pesaroso, enquanto investir em algum bem material lhe dá extrema alegria e desprendimento?

5. Preste mais atenção às suas palavras. “... a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12.34). Crentes falam sobre seu Salvador, enquanto idólatras falam de seus ídolos. Você usa a língua apenas para expor seus interesses pessoais? Posta nas redes sociais apenas conteúdos que lhe exaltem? Toda roda de assuntos sempre termina em você? Lembre-se: suas palavras devem “transmitir graça aos que ouvem” (Ef 4.29).

6. Seja crítico no uso do seu tempo. Efésios 5.15-18 ordena que “aproveitemos ao máximo cada oportunidade”. A linguagem usada pelo apóstolo Paulo vem do contexto comercial e significa, basicamente, que o crente deve “resgatar” o tempo disponível nesse mundo mau para aplicá-lo de forma sábia. Gastar horas a fio frente à Netflix, jogando online ou mesmo navegando pelas redes sociais é usar o tempo de modo insensato e improdutivo. Como você organiza seu tempo? Quais as principais atividades que ocupam sua agenda?

Caso tenha identificado algum ídolo em seu coração, não se surpreenda. Afinal, há uma verdadeira fábrica de idolatria dentro de cada pecador. O que fazer, então? Em primeiro lugar, reconheça a miséria dos ídolos e seu poder escravizador (2Pe 2.19). Desista de preencher os vazios do coração com relacionamentos, conquistas ou festas (Is 55.1-3) e inunde cada área da sua vida com a água viva oferecida por Cristo (João 4.13-14). Então, pouco a pouco, a ação santificadora do Espírito Santo fará com que essa fábrica de ídolos dê lugar a um verdadeiro manancial de contentamento e vida!

Níckolas Ramos

Coram Deo

 

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