Quinta, 21 de Junho de 2018
   
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Salmo 91 - A Segurança que só Deus Pode Dar

 

Alguns dos homens mais bem treinados do mundo são os agentes do serviço secreto norte-americano. Entre outras atribuições, sua responsabilidade mais importante é dar proteção ao presidente dos Estados Unidos. Assassinatos de presidentes americanos no passado, como os de Abraham Lincoln (1865), James Abram Garfield (1881) e William McKinley (1901) fizeram com que o serviço secreto investisse todas as suas forças e recursos para proteger aquele que é considerado um dos homens mais poderosos do mundo. Mesmo assim, não foi possível impedir o assassinato de John F. Kennedy (1963) e o atentado contra a vida de Ronald W. Reagan (1981). Isso significa que até o homem mais bem protegido do mundo pode ser atingido. Também quer dizer que nem o poderoso serviço secreto americano pode promover uma segurança inabalável.

O Salmo 91, porém, fala de alguém que pode dar a proteção que mais ninguém pode. A figura de Deus como supremo protetor dos seus é tão forte nesse texto, que é comum encontrarmos em algumas casas e estabelecimentos comerciais Bíblias abertas justamente no Salmo 91 com a finalidade supersticiosa de proteger o local. Também já vi pessoas que, apesar de rejeitarem a mensagem da salvação em Cristo pela fé somente, leem esse salmo antes de fazer algo perigoso como se, ao lê-lo em voz alta, estivessem se “benzendo” ou lançando mão de alguma “simpatia”. Mal sabem elas o quanto estão longe da verdade exposta por esse salmista anônimo. A segurança relatada no texto não vem das palavras em si, nem de rituais, mas do Deus Todo-poderoso que ama os seus e cuida deles como sua propriedade pessoal. Apesar de não ser possível a identificação nem do autor, nem do momento histórico da composição do salmo, fica clara a ideia de que o salmista estava correndo grande perigo. Mas, ainda que corresse risco, ele demonstra firme confiança em Deus evidenciando cinco resultados da proteção de Deus ao seu povo.

O primeiro resultado da proteção de Deus aos seus servos é a segurança ampla (vv.1-4). O salmista, mesmo correndo perigo, estava convencido de que Deus não tinha qualquer dificuldade ou impedimento para defendê-lo. Em primeiro lugar, Deus é descrito como quem fornece uma habitação segura para seus servos aflitos e cansados (v.1): “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo mora à sombra do Todo-poderoso” (yoshev beseter ‘elyôn betsel shadday yitlônan). A aparente redundância dessa afirmação se constitui em uma ênfase na segurança daquele que busca a proximidade de Deus – por isso, a presença de dois nomes divinos que exaltam seu poder e supremacia: “Altíssimo” (‘elyôn) e “Todo-poderoso” (shadday).

A mesma verdade é declarada, a seguir, em termos pessoais em que a repetição do pronome pessoal “meu” dá um tom de intimidade entre o protegido e seu protetor divino (v.2): “Eu digo ao Senhor: ‘O meu Deus é meu refúgio e minha fortaleza’. Eu confio nele” (’omar layhwh mahsî ûmetsûdatî ’elohay ’evtah-bô). Essa intimidade é, a seguir, refletida nos leitores a fim de que também sintam em Deus segurança, mesmo sabendo que são frágeis como pequenos pássaros e como pessoas passíveis de serem atingidas por doenças devastadoras (v.3): “Pois ele te livrará da arapuca do caçador e da peste fatal” (kî hû’ yatsîleka miffah yaqûsh middever hawwôt). Por fim, ele compara Deus a uma ave que protege seus filhotes indefesos (v.4): “Ele te cobrirá com suas penas e tu te abrigarás sob suas asas” (be’evratô yasek lak wetahat-kenafayw tehseh). Se desde a primeira frase do salmo fica claro que não falta a Deus poder para proteger, o salmista afirma que a fidelidade do Senhor é a razão da proteção: “A sua fidelidade é escudo e armadura” (tsinnâ wesoherâ ’amittô).

O segundo resultado é a segurança constante (vv.5,6). Para aqueles que conhecem Deus, não há dúvidas sobre sua capacidade de defender e livrar os seus. Contudo, nos momentos de perigo surge a questão: “Será que Deus está me protegendo agora? Será que ele desistiu de cuidar de mim?”. Diante dessa reação natural de quem sofre, o salmista afirma que Deus permanece no controle das circunstâncias “noite e dia”. Na verdade, o escritor não está preocupado com o horário da atuação de Deus, mas com sua continuidade, razão pela qual ele cita a noite e o dia, provavelmente fazendo menção a incursões dos inimigos na calada da noite e à guerra aberta à luz do dia (v.5): “Tu não terás medo do terror da noite, nem da flecha que voa de dia” (lo’-tîra’ miffahad laylâ mehets ya‘ûf yômam). Ele completa oferecendo uma afirmação paralela na qual chama a noite de “escuridão” e o dia de “meio-dia” (v.6): “Nem da peste que se espalha na escuridão, nem da destruição que devasta ao meio-dia” (middever ba’ofel yahalok miqqetev yashûd tsahorayim).

O terceiro é a segurança pessoal (vv.7-10). Segundo o que o salmista expõe, a proteção de Deus não é aplicada “no atacado”, mas de modo pessoal ao servo do Senhor, ainda que ele seja um entre milhares (v.7): “Mil cairão ao teu lado e milhares à tua direita, [ao passo que isso] não se aproximará de ti” (yiffol mistiddeka ’elef ûrevavâ mîmîneka ’eleyka lo’ yiggash). Não há como ouvir isso sem se lembrar de Raabe que, dentre todos os habitantes de Jericó, foi deliberadamente poupada com sua família quando toda a muralha caiu, menos o pedaço onde estava sua casa (Js 6.17,22-25). Por sua vez, aqueles que são inimigos do Senhor não serão poupados, mostrando que não é a sorte que define o destino dos homens, mas o juízo de Deus (v.8): “Apenas com os teus olhos tu observarás e verás a paga dos ímpios” (raq be‘êneyka tavvît weshillumat resha‘îm tir’et). A presença da palavra “apenas” (raq), de difícil interpretação nesse texto, parece indicar que o servo de Deus permanece incólume quando Deus julga os ímpios, de modo que ele não compartilha do juízo, mas nota-o com os olhos apenas (vv.9,10).

O quarto resultado é a segurança cuidadosa (vv.11-13). A menção no salmo à atividade dos anjos entre os homens não é algo frequente de se ver. Ainda assim, o salmista revela as ordens de Deus aos seres angelicais em benefício daqueles que lhe pertencem (v.11): “Pois ele dará ordem aos seus anjos a fim de que te guardem em todos os teus caminhos” (kî mal’akayw yetsawweh-lak lishmareka bekol-derakeyka). Pode, nesse ponto, surgir a dúvida quanto à necessidade de Deus dar proteção por meio dos seus anjos: “Será que ele sozinho não é capaz de proteger os seus?”. Essa não parece ser a opinião do salmista, já que se refere a Deus de maneiras que expressam sua onipotência (v.1). Desse modo, é perceptível a intenção divina de transmitir aos seus a sensação de segurança em todo tempo. Do mesmo modo que um rei coloca seus guardas para proteger a cidade, Deus coloca seus anjos para cuidar dos justos, protegendo-os cuidadosamente do mal como se fossem babás que levam bebês no colo para que não se machuquem (v.12): “Eles te carregarão nas mãos para que teu pé não tropece na pedra” (‘al-kaffayim yissa’ûneka pen-tinnof ba’even ragleka). O resultado desse cuidado amoroso é o livramento até mesmo diante dos maiores perigos (v.13).

O último resultado da proteção de Deus é a segurança amorosa (vv.14-16). O salmista afirma que a proteção que ele almeja é resultado de um relacionamento que se baseia no amor e não em ritos vazios. Escrevendo de um modo como se Deus estivesse falando, diz (v.14): “Eu o salvarei porque ele se apegou a mim com amor. Eu o protegerei porque ele conhece o meu nome” (kî bî hashaq wa’afalletehû ’asaggevehû kî-yada‘ she). A reciprocidade é clara e mostra que Deus age com amor para com aqueles que o amam. Isso gera um relacionamento entre Deus e seus servos que dá a estes acesso para que clamem ao seu Senhor e sejam atendidos por quem realmente se importa com eles (v.15): “Ele clamará a mim e eu lhe responderei. Eu estarei com ele quando estiver em perigo. Eu o livrarei e o honrarei ” (yiqra’enî we’e‘enehû ‘immô-’anokî betsarâ ’ahalletsehû wa’akavvedehû). Nesse ponto, o salmista revela um traço típico de um relacionamento amoroso que é ir além de simplesmente dar aquilo que falta, mas também abençoar além do esperado (v.16): “Eu o satisfarei com uma vida longa e mostrarei a ele a minha salvação” (’orek yamîm ’asbî‘ehû we’ar’ehû bîshû‘atî).

O salmista tinha razão de confiar em Deus ainda que atravessasse sérias dificuldades. Além da firme esperança de ser salvo, ele tinha uma resposta satisfatória enquanto não via a libertação. Conhecendo o poder de Deus, sabia que as dificuldades não eram maiores que o poder divino de vencê-las. Conhecendo a fidelidade do Senhor, sabia que ele não havia desistido do servo. Atentando para o modo singular com que Deus se relacionava com ele, sabia que não estava sendo tratado com “vistas grossas” ou como mera estatística no meio da multidão. Sabendo do cuidado com que era protegido, sabia que Deus não estava ocupado demais para socorrê-lo. Conhecendo o amor de Deus, esperava ser tratado como um filho. Ainda que as dificuldades persistissem, ele sabia que elas condiziam com o plano soberano de Deus, com o cuidado amoroso do Pai e com a certeza da salvação que fora prometida pelo Senhor do universo. Diante de tais realidades, estão certas as pessoas que reconhecem nesse salmo a segurança que há em Deus. Contudo, em lugar de abrirem Bíblias que não leem com a intenção de proteger o ambiente, devem abrir seu coração pela fé naquele que, na Bíblia, se revelou a nós por meio do seu filho Jesus Cristo, o Senhor e protetor dos que nele creem.

Pr. Thomas Tronco

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