Quarta, 26 de Abril de 2017
   
Tamanho do Texto

Pesquisar

Crônica de um Domingo à Noite

Domingo à noite. Terminei a prova. Não dá tempo de chegar para o culto.

Meus colegas “concurseiros” querem sair para beber. Outros, para fumar. Muitos, para beber e fumar. Despeço-me e saio, cansado. Caminho lentamente.

A rua está cheia. Gente de todos – ou quase todos – os tipos. Casais de namorados atrapalham meu caminho. Como andam devagar os namorados! Passo em frente a um boteco – entre uma porção e outra, uma porção de olhos, todos vermelhos, contemplam a TV. Na TV, o jogo “só termina quando acaba”. Mas o bar só termina quando sai o último cliente – carregado pelos comparsas.

No metrô, um bêbado entra, cambaleando. Faz cara de que vai vomitar. Contém-se, aparentemente envergonhado – se bem que não sei se bêbados sentem vergonha. Eu nunca tinha visto olhos tão vermelhos. Eu nunca tinha visto olhos tão distantes. O bêbado senta-se – e quase cai. Não sabe aonde vai. O pinguço decide me encarar – fujo do vermelho de seus olhos. Não é agradável encarar a miséria – nem a minha, muito menos a alheia.

Chego à rodoviária. Está cheia, lotada. Como há gente em um domingo à noite! Espero pelo ônibus – tenho de esperar por quase uma hora. Um casal de namorados, de tão juntinho, chama a atenção pela indiscrição – e são só namorados. Um outro casal, de mãos dadas, com o mesmo andar dos namorados, caminha impunemente – duas moças. Pareço ser o único espantado com a exibição em plena luz do começo da noite. Mas é domingo à noite – tudo é diferente.

Quando chega o embarque para Atibaia, outro bêbado senta ao meu lado, no ônibus – parece que o mundo todo está de pileque. Ao partir da rodoviária, vislumbro, de soslaio, uma TV ligada dentro de um apartamento. Alguém assiste ao Fantástico – deve ser alguma reportagem sobre espiritismo... ou sobre a novela.

O bêbado ao meu lado ronca durante a viagem. Sua cabeça gira e quase encosta em meu ombro – por algum motivo inexplicável, as cabeças dos bêbados sempre ficam girando à procura de ombros em que possam repousar. Não consigo descansar. A pista que retorna para São Paulo está congestionada. Estão todos em seus carros, reclamando do trânsito – posso sentir que todos reclamam, mesmo depois de um fim de semana tranquilo e ensolarado.

Chego a Atibaia. Decido saltar na entrada da cidade e fico esperando minha família em um posto de gasolina. Um mendigo vem e me pede dinheiro – creio que também está embriagado. Estou cansado e mando o mendigo embora antes que ele se aproxime. Um carro velho para ao meu lado. Uma prostituta salta do banco traseiro e vai embora, caminhando pelas ruas vazias.

A minha família chega, enfim – estão bem! É bom revê-la depois de dois dias cansativos em São Paulo. De noite, em casa, fico um pouco calado e reflexivo. Penso com meus botões: onde estão os crentes no domingo à noite?

Estão sãos e salvos – e sóbrios – no culto, adorando a Deus e aprendendo da Bíblia – graças a Deus!

Ev. Pedro Freitas

Este site é melhor visualizado em Mozilla Firefox, Google Chrome ou Opera.
© Copyright 2009, todos os direitos reservados.
Igreja Batista Redenção.