Sábado, 29 de Abril de 2017
   
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Você tem um SSN?

 

Desde que chegamos aos Estados Unidos a trabalho, esperávamos algumas dificuldades oriundas do “choque cultural”. Mas, dentre todas as dificuldades que encontramos, a ausência temporária de um Social Security Number (SSN) – ao qual temos direito – nos gerou certa ansiedade e desconforto acima do nível normal para uma mudança desse porte.

O SSN é uma sequência numérica de nove dígitos gerada por uma agência governamental dos Estados Unidos. Todos os cidadãos americanos, residentes permanentes ou trabalhadores temporários, têm direito a ele. Sua inscrição provê benefícios como seguro-desemprego, aposentadoria, seguros por incapacidade laboral (física e/ou mental), etc. A título de comparação, pode-se dizer que o número do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) do Brasil é o SSN brasileiro.

Todavia, há grandes diferenças entre esses dois números que abrangem o cotidiano de ambos os países. Nos últimos anos, o SSN tem sido usado como um número de identificação nacional de fato, ou seja, usado na prática sem que necessariamente haja uma lei que a regulamente. Logo, inúmeras empresas e entidades vinculam o acesso aos seus serviços ao fornecimento do número do SSN pelo cliente. Serviços bancários, utilidades domésticas, acesso a empréstimos, leasings em outro serviços são aprovados ou não para um imigrante dependendo do fornecimento desse número.

Ademais, o grau de acesso aos serviços e empréstimos bancários – para a compra de uma casa, por exemplo –, pode variar de uma pessoa para outra ainda que ambas tenham o SSN. Isso se dá porque o Credit Score – um sistema de pontuação americano que mede a capacidade de um cidadão honrar suas dívidas – foi embutido no SSN nos últimos anos. Daí, cada vez que se paga uma conta de uma empresa que cadastrou o seu SSN, mais pontos são acumulados em seu Credit Score. As instituições financeiras interpretam que, quanto mais pontos uma pessoa possuir, menor será o seu risco de inadimplência caso um empréstimo seja feito.

Recentemente, esse cenário tem mudado um pouco devido ao alto índice de imigrantes ilegais nos EUA. Logo, o Credit Score tem sido vinculado a outro número, o ITIN (Individual Taxpayer Identification Number), que é gerado quando se declara o imposto de renda nos EUA pela primeira vez – aliás, o pagamento do imposto de renda nos EUA é algo muito fiscalizado, sob pena, em nada flexível, de reclusão. Consequentemente, nem os imigrantes ilegais são negligentes com o imposto de renda por aqui.

Como o SSN é um número tão importante no tocante à vida financeira, não demorou muito para que surgissem suspeitas de que o SSN fosse o famigerado “número da besta”: “E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número de seu nome” (Ap 13.16,17).

Apesar desses palpites sensacionalistas, a verdade é que o SSN em nada se assemelha à apocalíptica “marca da besta”. Embora existam segmentos religiosos “conspiracionais”, suas engenhosas contas que fazem a estrutura dos nove dígitos do SSN tornarem-se o número “666” devem ser completamente repudiadas.

Há, pelo menos, quatro gritantes diferenças entre o SSN e a marca da besta:

1.     A marca da besta será visível e todos saberão se uma pessoa a tem ou não. Infamemente comparado à marca da besta, o SSN não possui fotografia, descrição física ou data de nascimento. Não é possível saber se uma pessoa tem ou não um SSN se ela não o declarar.

 

2.     A marca da besta será uma identificação mundial, não um documento restrito a um único país. Apesar de mais de 450 milhões de números já tenham sido concedidos desde 1935, nada se compara ao número de pessoas no mundo todo que apenas hoje são aproximadamente 7 bilhões.

 

3.     A ausência da marca da besta gerará dificuldades extremas para a sobrevivência das pessoas – na verdade, gerará a pena de morte. Contrariamente ao que se pensa, é perfeitamente possível viver nos EUA sem o SSN e os milhares de pessoas que não o possuem não foram mortos por isso.

 

4.     A marca da besta será de fácil acesso. Quanto ao SSN, pelo que experimentei, não é tão fácil consegui-lo.

Graças a Deus, nossos SSN finalmente chegaram. Pude, portanto, inscrever minha esposa em meus planos médico, odontológico e oftalmológico. Também pudemos solicitar outros serviços para o conforto e segurança do nosso lar. Mas nada disso me concede a segurança que tenho em Jesus Cristo, nosso Senhor. O “seguro social” do governo que possuímos em nada se compara à segurança que temos em Cristo, por mais que as circunstâncias ao nosso redor se tornem tenebrosas: “Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8.36-39).

Parafraseando o nome do cartão americano, podemos dizer que há um outro “SSN”: o “Salvation Security Name” (nome de segurança de salvação). Esse “SSN” teve um preço elevadíssimo e o próprio Filho de Deus o pagou com sua morte! Por meio da morte de Cristo na cruz e sua ressurreição temos a certeza de que estaremos para sempre com o nosso Pai celestial. Não haverá mais choro ou lágrimas. Não haverá qualquer necessidade de “segurança social” porque o próprio Deus será nosso amoroso anfitrião naquela pátria celestial. Ele não será apenas o “refúgio” do livro de Salmos, mas também as “moradas” do evangelho de João! Essa é a promessa do nosso Deus para o seu povo. Não haverá pecado em nosso coração e todo o nosso ser será definitivamente imaculado pelos méritos de Cristo no Calvário.

Este é o nome do “Salvation Security Name”: Jesus Cristo, o Nazareno! Como está escrito: “Seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, em nome desse é que este está são diante de vós. Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4.10-12).

Você tem “o” SSN?

Ev. Leandro Boer

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