Segunda, 26 de Junho de 2017
   
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A Luta de Jacó com Deus

Depois de fugir de Labão e de ter sido poupado quando ele o alcançou no caminho da fuga, Jacó se preparou para outro desafio: encontrar seu irmão Esaú, o irmão que ele havia enganado, roubando-lhe a bênção da primogenitura (Gênesis 31).

Jacó fugira de Canaã exatamente por causa da ira desse seu irmão. Agora estava prestes a reencontrá-lo e não sabia se Esaú, mesmo depois de tanto tempo (pelo menos 14 anos), ainda queria matá-lo. Por isso enviou mensageiros a ele e, quando soube que Esaú vinha ao seu encontro acompanhado de quatrocentos homens, mandou-lhe presentes e dividiu sua caravana de modo a dificultar um eventual ataque contra todo o grupo.

Na noite que antecedeu o encontro de Jacó com Esaú, algo curioso aconteceu. A Bíblia diz que Jacó passou a madrugada toda lutando com um homem, junto ao ribeiro de Jaboque. Quando o homem viu que não podia dominá-lo, deslocou-lhe a coxa e disse: "Deixe-me ir, pois o dia já desponta." Jacó, porém respondeu: "Não te deixarei ir até que me abençoes." O homem, então, mudou o nome de Jacó para Israel, que significa "ele luta com Deus", e o abençoou. Jacó ficou cheio de temor e chamou aquele local de Peniel (a face de Deus), pois disse: "Vi a Deus face a face e, todavia, minha vida foi poupada." Ele, então, seguiu caminho mancando, em virtude do ferimento na coxa. Segundo o texto, esse foi o motivo pelo qual os israelitas deixaram de comer o músculo ligado à articulação do quadril.

Os fatos acima narrados levantam uma séria questão. Sabe-se pelo texto que a pessoa com quem Jacó lutou era Deus em forma humana. Ora, porque o todo-poderoso Deus teria que lutar com um homem comum e até mesmo achar a luta árdua? Que sentido teria tudo isso? Talvez a resposta não seja tão difícil. Deus apresentou-se a Jacó de forma a fazê-lo lutar toda a noite a fim de ensiná-lo que sua felicidade na terra para onde estava retornando não dependeria apenas das vitórias que poderia ter sobre os homens, vitórias que Jacó tinha tido até então. Para ser bem sucedido na nova etapa da sua vida, Jacó teria que depender da bênção de Deus e não mais de seus estratagemas e artifícios. A árdua luta para obter essa bênção e o dolorido ferimento que recebeu fariam com que ele se lembrasse para sempre disso.

De modo remoto, a história da luta de Jacó com Deus evoca o evangelho. De fato, a mensagem cristã conta também a história de Deus assumindo a forma humana. Nessa história, porém, diferente da de Jacó, não foi ele quem feriu o homem; foram os homens que o feriram. Como fez outrora, porém, o Deus então ferido, Jesus, tendo ressuscitado dentre os mortos, mais uma vez abençoa aqueles que ao longo da noite da vida suplicam seu favor. E ele lhes estende as mãos marcadas com as feridas que nós lhe infligimos e concede, assim, a vida eterna, bênção suprema recebida por quem deposita somente nele a sua fé. É dessa forma que o Deus ferido nos cura e, como fez com Jacó, nos prepara para uma nova realidade de vida.

"Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça; por suas feridas vocês foram curados" (1Pedro 2.24).

Pr. Marcos Granconato

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