Sábado, 29 de Abril de 2017
   
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Estudo 34 - A Expiação de Cristo

 

1 – TEORIAS DA EXPIAÇÃO

A)    Resgate pago a Satanás (Orígenes – 185-254) – A morte de Cristo satisfez as acusações de Satanás contra o homem;

B)    Recapitulação (Irineu – 130-202) – Jesus viveu todos os estágios da vida humana revertendo o curso determinado por Adão. Sua obediência compensou a desobediência de Adão;

C)    Satisfação (Anselmo de Cantuária – 1033-1109) – A morte de Cristo foi o pagamento que satisfez as exigências de Deus em vista da ofensa do pecado. Os méritos de Cristo são transferidos aos que creem;

D)    Influência moral (Abelardo – 1079-1142) – Não expiou pecados, mas demonstrou o grande amor de Deus a fim de gerar no homem um amor responsivo e uma mudança ética;

E)    Exemplo (Fausto Socinio – 1539-1604) – Não expiou pecados, mas revelou a fé e a obediência para um caminho de vida eterna a ser seguido pelos homens;

F)    Neo-ortodoxa (Karl Barth – 1886-1968) – A morte de Cristo foi, principalmente, a revelação do amor de Deus e seu ódio ao pecado;

G)    Substituição penal (João Calvino – 1509-1564) – Cristo, que não tinha pecado, tomou sobre si a penalidade que deveria ser imputada aos homens.

 

2 – A EXTENSÃO DA EXPIAÇÃO

A)    A questão – Quando se fala em “extensão da expiação”, tem-se em mente responder a esta pergunta: “Quando Cristo morreu ele o fez com a finalidade ou com o propósito de salvar somente os eleitos ou todos os homens?”.

B)    Os pontos de vista

a.     Arminianos – Defendem a expiação ilimitada, ou seja, a morte de Cristo fez expiação por “todos os homens”, de modo que uma graça suficiente é oferecida a todos. Há alguns calvinistas que, nesse particular, defendem o mesmo ponto de vista e se denominam “calvinistas de quatro pontos”,[1] seguindo as ideias de Moisés Amyraut;

b.    Calvinistas – Defendem a expiação limitada para as pessoas eleitas por Cristo para a salvação antes da fundação do mundo, fazendo pagamento especificamente por seus pecados a fim de justificá-los. Creem que a morte de Cristo tem suficiência em si para expiar o pecado de todos, mas o fez apenas em benefício dos eleitos.[2]

C)    Textos que apresentam a ‘expiação limitada’

a.     Mateus 26.28 (“Porque isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados”) cf. Marcos 10.45 (“Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”);

b.    João 10.11,14-16 (“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas... Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas não deste aprisco a mim me convém conduzi-las elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor”) cf. v.26 (“Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas”);

c.     Atos 20.28 (“Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue”);

d.    Efésios 5.25 (“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”);

e.     1Pedro 1.18-20 (“Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós”).

D)    Dificuldades de interpretação das palavras ‘todo’ e ‘mundo’

a.     Romanos 5.18 (“Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida”) cf. v.17 (“Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo”);

b.    Tito 2.11 (“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens”) cf . Tito 2.14 (“O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras”);

c.     2Pedro 2.1 (“Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição”);

d.    1João 2.2 (“E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”) cf. 1João 5.19 (“Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno”); João 11.51-52 (“Ora, ele não disse isto de si mesmo; mas, sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus estava para morrer pela nação e não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos”); Apocalipse 5.9-10 (“E entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a Terra”); João 3.16-18 (“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”);

e.     Jo 12.32 (“E eu, quando for levantado da Terra, atrairei todos a mim mesmo”); Rm 11.32 (“Porque Deus a todos encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos”); 1Co 15.22 (“Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo”); Hb 2.9 (“Vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem”) cf. 2Co 5.14-15 (“Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”).

 


[1] O Calvinismo defende cinco pontos: “Depravação total do homem”, “eleição incondicional”, “graça irresistível”, expiação limitada” e “preservação dos santos”.

[2] Deve-se notar que essa questão está diretamente relacionada com a doutrina da “eleição” e que ela obrigatoriamente irá influenciar as doutrinas sobre a morte e o sacrifício de Cristo.

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