Quarta, 13 de Dezembro de 2017
   
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Estudo 42 - A Singularidade da Igreja

 

A igreja é um grupo singular sobre o qual o Senhor disse: “Edificarei minha igreja” (Mt 16.18). Para melhor compreendermos tal afirmação, é preciso entender a singularidade da igreja, seu relacionamento com outros grupos e seu lugar dentro da história e do plano de Deus.

 

1 – A IGREJA E O REINO

Uma grande dúvida entre os cristãos é como a igreja se relaciona com o “reino de Deus”. Isso decorre do fato de haver mais de um aspecto do reino descrito nas Escrituras.

a)     O reino universal – Deus governa o mundo todo (1Cr 29.11; Sl 145.13) e escolhe governantes para julgar o mundo (Dn 2.37). Assim, Deus reina sobre todas as nações (Ap 15.3) e, no final, todas se submeterão a ele e capitularão diante do seu poder (Sl 110.5,6). A igreja faz parte desse reino porque tudo está sobre o controle soberano de Deus sem que haja distinções ou que entidades sejam independentes da soberania do Senhor;

b)    O reino davídico/messiânico Esse reino se chama davídico porque diz respeito às promessas feitas a Davi (2Sm 7.11-16) e messiânico porque Jesus, o Messias, reinará sobre o trono de Davi, governando a nação de Israel (Lc 1.32,33). A Igreja não faz parte desse reino que será instituído no futuro (milênio), com a volta de Cristo, e cujos súditos são os israelitas que serão restaurados à totalidade da terra prometida a Abraão. Nessa época, a igreja glorificada reinará com Cristo (2Tm 2.12; Ap 5.9,10);

c)     O reino espiritual Refere-se ao reino em que os cristãos foram inseridos a partir do novo nascimento (Cl 1.13; Ap 1.6) e onde Cristo reina sobre a igreja sendo sua cabeça. Esse reino tem características que o distinguem dos do restante do mundo (Rm 14.17; 1Co 4.20);

d)    O reino eterno Esse é também um aspecto futuro do reino. Não está ligado a um governo terreno, mas à comunhão e habitação com Deus e à vida eterna (2Tm 4.18; Tg 2.5; 2Pe 1.11). Todos os que tiveram fé e foram perdoados por Deus durante toda a história humana, incluindo a igreja, irão entrar nesse reino. A igreja ainda aguarda para entrar nesse reino (At 14.22).

 

2 – A IGREJA E ISRAEL

A igreja é distinta de Israel e teve seu início apenas no Pentecostes. Nos dias de Jesus, ela era algo a existir no futuro (Mt 16.18). O contraste entre a igreja e Israel é nítido no Novo Testamento, após a fundação da igreja. A distinção entre o Israel natural[1] e a igreja revela que não são a mesma entidade (1Co 10.32; Gl 6.16).

O texto de Romanos 11 mostra não apenas a distinção entre a Igreja e Israel, mas o plano de Deus para cada um deles. Veja a síntese do capítulo:

  • Deus não rejeitou definitivamente Israel (v.1);
  • Deus sempre reserva um remanescente fiel em Israel (2-4);
  • Pela graça Deus mantém o remanescente (5-6);
  • O pequeno remanescente foi eleito enquanto a grande maioria de Israel foi endurecida (7-10);
  • Foram rejeitados temporariamente para que os gentios fossem alcançados (11);
  • Como sua transgressão redundou em bênção, assim será quando forem "plenos" (12);
  • Enquanto Israel está afastado, um pequeno número crê na pregação (13-14);
  • Previsão do restabelecimento de Israel como fonte de bênçãos (15);
  • Israel é comparado a ramos naturais quebrados e a igreja é comparada a ramos de fora da oliveira (ramos de oliveira brava) que são enxertados (16-17);
  • Os cristãos gentios não devem desprezar Israel (18-20);
  • Israel caído é ainda chamado de "ramo natural" em contraste com a igreja, "oliveira brava" (21);
  • Dispensações diferentes para Israel e a igreja (22);
  • Está aberta a via necessária para o retorno de Israel (23);
  • Declaração de que a igreja tem uma origem descontinuada com Israel (foi enxertada contra a natureza vindo de uma fonte de outro tipo) e o prenúncio da restauração futura de Israel que, como o ramo natural, será enxertado novamente na videira de onde foi cortada (24).
  • Depois disso, todo o Israel será restaurado (26);
  • A nova aliança com Israel (Jr 31.31-34) é a garantia do seu perdão (27);
  • O amor e a eleição de Deus sobre Israel são perpétuos devido às promessas “irrevogáveis” de Deus (28-29);
  • O processo de salvação aplicado à igreja na atualidade será também aplicado a Israel no futuro (30-32);
  • Esse plano de atuação de Deus (endurecer Israel para conceder graça aos gentios e, depois de completado o tempo da igreja, voltar a conceder graça a Israel e o restaurar) é algo misterioso e maravilhoso que não podemos compreender plenamente, mas, por ele, glorificamos a Deus (33-36).

 


[1] O termo “Israel natural” pretende descrever os israelitas de sangue que permanecem na incredulidade. A partir do Pentecostes, os israelitas que creem passam a fazer parte da igreja.

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