Sábado, 17 de Novembro de 2018
   
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Estudo 50 - O Reino Milenar

 

Dois erros são comuns ao se tratar do reino de Cristo. Um deles é considerá-lo cumprido na primeira vinda de Cristo, já que as promessas a Davi não se cumpriram nessa ocasião (2Sm 7.11-16). Outro deles é considerar a soberania de Cristo, que reina sobre tudo, como o cumprimento atual da promessa do reino, já que o que foi prometido não é apenas seu reinado soberano sobre a criação, mas seu reinado sobre o trono específico de Davi (Lc 1.31-33). O fato é que o reino de Cristo ainda não aconteceu e a falta dessa compreensão é antiga (Lc 19.11). Por isso, entendemos que esse é um reino que ainda há de ser instituído, período que recebe o nome de “milênio”, ou “reino milenar de Cristo”.

 

1 – A DURAÇÃO DO MILÊNIO

Apocalipse 20.2-7 diz seis vezes que o tempo do milênio é de “mil anos”. Apesar de estudiosos de outras linhas doutrinárias e hermenêuticas afirmarem que o termo “milênio” é simbólico e representativo, a repetição insistente da expressão “mil anos” demonstra sua literalidade e importância.

 

2 – O GOVERNO DO MILÊNIO

a)     Tipo de governo — Será uma teocracia, assim como havia em Israel entre a saída do Egito (1446 a.C.) e a instituição da monarquia (1051 a.C.). Jesus reinará de maneira visível sobre a humanidade (Dn 7.14) com poder absoluto (Ap 19.15). Haverá justiça completa (Is 11.4);

b)    O centro do governo — Jerusalém será a sede desse governo (Is 2.3). A cidade será exaltada (Zc 14.10) e gloriosa (Is 24.23), para sempre segura (Is 26.1-4) e nela repousará o templo (Is 33.20).[1]

c)     Seus governantes Um descendente de Davi será o rei, a saber, o Messias (Jr 30.9; Ez 37.24,25 cf. Lc 1.31-33).[2] A autoridade das doze tribos de Israel será entregue aos doze apóstolos (Mt 19.28). Haverá autoridade para outros príncipes (Is 32.1). A Igreja também terá participação no governo da Terra (Ap 5.9,10).

d)    Os súditos do governo — Inicialmente são judeus e gentios redimidos que sobreviveram à Tribulação. Contudo, todos os recém-nascidos serão exatamente como os de hoje, necessitando de uma decisão pessoal, por meio da fé em Jesus, para serem também redimidos. A obediência política ao Rei não implicará transformação interior que vem da justificação. Assim, ser súdito e ser salvo, naquele tempo, serão duas coisas independentes. Esses, com corpos mortais, dividirão espaço com a Igreja ressurreta, em corpos glorificados e imortais (1Co 15.42-54).

 

3 – AS CARACTERÍSTICAS DO MILÊNIO

a)     JustiçaJesus exercerá um governo justo (Is 16.5; 32.1) e as punições serão imediatas (Is 11.4).

b)    Paz Haverá paz e unidade entre as nações (Is 19.23-25). Jerusalém desfrutará uma paz que desconhece há muito tempo (Zc 8.4,5), paz que se estenderá a toda a Terra (Is 2.4).

c)     ProsperidadeA Terra será próspera e farta de alimentos (Am 9.13,14) e até os desertos serão produtivos (Is 35.1-7).

d)    ReligiãoO conhecimento do Senhor será amplo sobre toda a Terra (Is 2.2,3). O templo de Jerusalém (Ez 40–48) estará em funcionamento e sacrifícios serão oferecidos. Alguns dispensacionalistas acreditam que tais sacrifícios terão valor memorial, enquanto outros acreditam que farão purificação cerimonial. Haverá a observância de dias e festas (Ez 46.1-15; Zc 14.16).

 

4 – OS JULGAMENTOS FUTUROS

a)     Julgamento das obras dos cristãosEmbora não seja especificado, é provável que esse julgamento ocorra logo depois do Arrebatamento. As passagens principais que falam desse julgamento são 1Co 3.10-15 e 2Co 5.10.[3] O chamado “tribunal de Cristo” julgará somente crentes, não para condenar qualquer um deles (Rm 8.1), mas para avaliar e premiar suas obras.

b)    Julgamento dos santos do Antigo Testamento — Daniel 12.3 fala da premiação dos “sábios” (salvos) de modo geral associando tal acontecimento à ressurreição e condenação dos ímpios, o que, segundo Ap 20.11-15, acontecerá no final do milênio. Portanto, excluindo a igreja cuja ressurreição se dá no Arrebatamento (1Ts 4.13-17), parece que os santos do AT ressuscitarão e serão premiados somente no fim do milênio. Contudo, é importante notar que é comum profetas do AT falarem de um evento como se fosse único e o NT desmembrar seu cumprimento em mais de uma ocasião (revelação progressiva).

c)     Julgamento dos santos da Tribulação — Apocalipse 20.4-6 fala da ressurreição dos que foram martirizados na Tribulação antes do início do milênio, visto que reinarão por “mil anos”. Não são mencionados julgamento ou recompensas, mas não há motivos para crer que não haja (a menção à atividade de reinar dá indícios de sua recompensa).

d)    Julgamento dos judeus que sobreviverem à Tribulação — Judeus e gentios serão julgados depois da volta de Cristo e somente os crentes entrarão no milênio. O julgamento dos judeus é descrito em Ez 20.34-38 e ilustrado nas parábolas de Mt 25.1-30. Os aprovados desfrutarão das bênçãos da Nova Aliança (Ez 20.37) enquanto os reprovados não poderão entrar em Israel (Ez 20.38), mas serão lançados nas “trevas exteriores” (Mt 25.30).

e)     Julgamento dos gentios que sobreviverem à Tribulação — Os gentios também serão julgados na vinda de Cristo (Mt 25.31-46). Joel profetizou que o local de tal julgamento é o “vale de Josafá” (Jl 3.2). Alguns acreditam que se trata do vale do Cedron. Contudo, pode ser uma referência não a um lugar, mas ao acontecimento, já que Josafá significa “Javé julga”.

f)      Julgamento de Satanás e dos anjos caídos — Satanás e os anjos caídos serão julgados no final do milênio e condenados ao fogo eterno (Mt 25.41; Jd 6,7; Ap 20.10). Os santos participarão desse julgamento (1Co 6.3).

g)    Julgamento dos mortos não salvos — No final do reino milenar de Cristo, todos os incrédulos mortos serão ressuscitados e julgados para condenação (Dn 12.2). Esse julgamento, também chamado de “ressurreição do juízo” (Jo 5.28,29), acontecerá diante do grande trono branco (Ap 20.11-15), onde Jesus será o juiz (Jo 5.22,27). Serão abertos livros das obras pecaminosas dos incrédulos, além do Livro da Vida, o qual não conterá o nome de nenhum deles. Serão condenados e lançados no fogo eterno (Mt 25.41). Esse é o fim da história. Ela dá, então, início à eternidade.

 


[1] Esse templo e seu culto são descritos em Ezequiel 40–48.

[2] A referência a Davi nos textos de Jr 30.9 e Ez 37.24,25 é tipológica.

[3] Outras passagens que evidenciam que as obras dos crentes passam por avaliação e serão recompensadas no futuro pelo Senhor são Rm 14.10; 1Co 4.1-5; 9.24-27; 1Ts 2.19; 2Tm 4.8; Tg 1.12; 1Pe 5.4.

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