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Pastoral

Javali

28 de December, 2008

Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis, e sempre
abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso
trabalho não é vão. (1Co 15.58)

Há alguns anos, quando tentei inutilmente conciliar as atividades de advogado e de pastor, desenvolvi o hábito de ler acórdãos, ou seja, decisões dos tribunais para as ações em que uma das partes (ou as duas) tinha interposto recurso. Na leitura desses casos, um em especial me chamou a atenção.

Era uma ação trabalhista em que o reclamante pleiteava danos morais porque, sendo um antigo empregado de uma empresa, recebeu dos seus superiores o apelido de “javali”.

A princípio, não entendi a razão de tanta encrenca, até que, lendo mais o acórdão, descobri que o apelido não era, na verdade,“javali”, mas sim “já vali”! Tratava-se, assim, de um epíteto realmente maldoso e humilhante que, para envergonhar o empregado, sugeria a todos que, no passado, ele tinha tido algum valor para a empresa, mas agora não prestava mais pra nada. Por isso, o tribunal julgou o recurso procedente e o empregado ganhou a indenização que queria.

Eu achei esse caso muito engraçado, mas ri durante pouco tempo. Pra mim a graça acabou quando lembrei que no serviço do Reino muitos crentes bem que merecem a alcunha de “Já vali”.

De fato, há irmãos que, em outros tempos, deram tudo de si para a Causa do Mestre. Com o passar dos anos, porém, por causa de pecados, frustrações e ressentimentos, se recolheram, passaram a fazer “corpo mole”, perderam o embalo e ficaram apagados. Geralmente, quando conversamos com essas pessoas, elas dizem: “Hoje estou meio parado, mas já trabalhei muito pelo evangelho”, ou seja, “Já vali”!

Minha expectativa é que, no ano que está para começar, nossa igreja não tenha ninguém assim. Espero que, se houver algum bicho que nos sirva de apelido, que não seja o javali. Que seja talvez o castor, aquele animalzinho que trabalha muito, fazendo diques, e permanece útil ao grupo a que pertence. Espero que seja assim em 2009, para o bem da igreja e para a glória do nosso Senhor que só dispensa do trabalho aqueles que ele chama para as férias celestes.

Castor Marcos Granconato
Soli Deo gloria