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Pastoral

O Angustiado Grito de Carnaval

22 de fevereiro, 2009

Não sei se estou certo, mas me parece que a expressão “grito de carnaval” se refere a uma espécie de sinal que dá abertura às festividades carnavalescas. Se for realmente isso, após o tal “grito”, inicia-se a festa mais danosa que o nosso povo realiza.

O carnaval, porém, não é caracterizado só por esse grito. Há outro grito mais forte, ainda que disfarçado, que ressoa ininterruptamente ao longo dos dias e noites da terrível festa. É o grito de angústia que o comportamento das pessoas demonstra existir dentro do seu coração.

Nosso povo é um povo infeliz. Muito infeliz. É um povo que caiu na desventura de acreditar que os sofrimentos provenientes de suas misérias podem ser atenuados pela imoralidade. Fizeram nossos compatriotas crer que sendo imorais serão felizes; que seus sofrimentos serão esquecidos se se entregarem aos prazeres carnais. Quanta mentira! O resultado da busca desenfreada de prazeres gerou mais miséria ainda: as famílias se desmantelaram; o respeito e a confiança entre as pessoas sumiram; crianças indesejadas nasceram e agora crescem sem a menor noção do real sentido da palavra “lar”; doenças terríveis proliferaram; problemas financeiros se multiplicaram… Essa foi a “felicidade” que a imoralidade trouxe.

E mesmo assim nosso povo não aprende! Ainda busca em meio às orgias e ao som dos tambores abafar o grito de angústia do coração. E até conseguem por alguns momentos! Porém, a quarta-feira cinzenta chega inexoravelmente e, no raiar dela, o grito do coração parece ainda mais forte e mais decidido a incessantemente ecoar.

Tal é a desventura da “brava gente brasileira”. Somente Cristo pode ajudá-la. Somente o Salvador pode sufocar o real grito de carnaval, grito de desespero que explode no peito das pessoas (Jo 4.14; 7.38; 10.10). Somente nele há esperança. Todos precisam saber

Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria