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Pastoral

Confiança Arrogante Vs. Confiança Dependente

27 de August, 2011

É errado fazer planos para o futuro? Desejar melhorar de vida? Crescer profissionalmente? Trabalhar numa empresa melhor? Comprar uma casa ou um carro novo?

Tiago, irmão de José, Simão e Judas e meio-irmão de Jesus, escreveu a admoestação de Tiago 4.13-15 para comerciantes judeus cristãos — que demonstravam uma confiança arrogante ao fazer planos para o futuro. Essa arrogância caracterizava o mundanismo, que pode ser expresso também por brigas (4.1-3) e pelo orgulho (4.5-12).

Tiago não proíbe o desejo de expandir os negócios ou crescer na vida (1Co 7.21). O Senhor não considera pecado em si fazer planos para o futuro, como, por exemplo, conseguir um emprego melhor, ganhar mais, comprar uma casa, um ou mais carros e outros bens. Não. O problema para o qual Tiago chama a atenção nesse texto é o modo como se faz o planejamento para o futuro. Nessa passagem são apresentados dois perfis de planejadores do futuro: o confiante arrogante e o confiante dependente (não deixe de ler Tiago 4.13-15).

Os comerciantes judeus cristãos estavam se orgulhando de seus planos de expandir os negócios para o futuro: primeiro, mudar-se para uma cidade; depois, passar um ano ali, onde teriam seus negócios e, como resultado, ter lucro (4.13). Faziam isso sem considerar a fragilidade da vida e a soberania livre de Deus. Assim, demonstravam a confiança carnal no sucesso de seus planos, como se o futuro deles estivesse apenas em suas nas mãos deles, como se seus braços garantissem o sucesso da empreitada, como se fossem os donos do futuro. Essa atitude arrogante, de fazer planos sem levar Deus em conta, era mundana e merecia uma repreensão de Tiago.

Após a repreensão, Tiago apresenta dois motivos do erro dessa confiança arrogante, dois fatos simples da vida: o desconhecimento do futuro e a fragilidade da vida (4.14).      

  • Desconhecimento do futuro: desconhecemos o amanhã. Podemos planejar o que faremos amanhã, na próxima semana, ou no próximo ano, mas é Deus o onisciente, não nós. É ele que conhece todas as coisas. Nossa vida é cheia de surpresas e imprevistos: “Não se gabe do dia de amanhã, pois você não sabe o que este ou aquele dia poderá trazer” (Pv 27.1).
  • Fragilidade da vida: “Que é a nossa vida?” Essa pergunta de Tiago no texto incomoda. Ele já havia comparado a fragilidade da vida à flor da erva (1.10), agora a compara à neblina.

De manhã, é possível ver a neblina por um pouco de tempo, até a chegada do Sol, que logo a dissipa. Esse fenômeno é uma figura de fácil entendimento, — espero que você se lembre disso sempre que acordar e observar pela janela a neblina da manhã. Como diz o pastor Augustus Nicodemus, “a ignorância sobre o futuro e a transitoriedade da vida humana trazem sobriedade aos cristãos quando fazem planos e fazem com que dependam absolutamente daquele que tem em suas mãos tanto o futuro como a vida humana”.

Agora, Tiago, no versículo 15, muda o quadro. Contrasta o confiante arrogante com o confiante dependente, advertindo: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”. Essa é a atitude correta quando se fazem planos para o futuro.

Note que o erro não estava somente em planejar algo para o futuro como certo, mas também em falar desses planos como se o sucesso estivesse garantido. O problema é usar fórmulas mágicas, como o “em nome de Jesus”, utilizado hoje, o que constitui erro semelhante: crer que determinado desejo se realizará apenas por se pronunciarem tais palavras, independente da vontade soberana e perfeita de Deus (Is 46.10,11; Rm 12.1; Ef 1.11). Como se Deus fosse forçado a mudar seus planos perfeitos só porque alguém diz uma palavra mágica. Absurdo!

Aprendemos com essa passagem que não é errado planejar o nosso futuro, mas devemos tomar cuidado com o modo de fazer planos. Também aprendemos que não há área alguma em nossa vida que não esteja sob o domínio e administração do Senhor.

A vontade de Deus é o fator dominante da nossa vida: se o Senhor quiser! E o sucesso de nossos planos depende dele, porque nossa vida depende dele, assim como nossas realizações dependem dele. Podemos ler nas páginas da Bíblia diversos exemplos de pais da fé que tinham confiança dependente do Senhor. Entre esses estão Davi (2Sm 15.25), Paulo (At 18.21; Rm 15.32; 1Co 16.7) e o autor de Hebreus (Hb 6.3).

“Porque muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor” (Pv 19.21).

Wellington Gouvêa
Membro da IBR São Paulo